REPULSION!

Entrevista da banda já com a Marissa Martinez falando pela banda e comentando como é tocar com os mestres. 

Valeu, Barão!

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Entrevista: Nicolas Delavy (WEIRD CLOTHING)

Caras, 

Eis a entrevista com um cara que, além de muita força de vontade, esforço, uma boa ideia e dois amigos tão pirados quanto, criaram uma marca de roupa que é referência justamente por ser o oposto de uma marca de roupa. 

Nicolas Delavy e seus parceiros Etam Paese e o Santi da Weird, veem causando um puta barulho no role por terem unido ilustrações, fotografia, assassinos em série, frases do perturbadoras pra usar em dia de almoço na casa da sua tia gorda, “Satanismo Fodido” e tudo de uma forma como se uma marca tivesse fans (esquema Steve Jobs X Apple, só que dá má vontade) em roupas que acabaram definindo os caras num esquema além de um marca, mas da atitude como um todo. 

Eu bati um papo animal com ele pra saber o que pensa, e como é viver a vida num parque de diversões, o escritório da Weird (e te digo que deve ser animal! o pico é foda!)

Se liga ae >  

Cara, em primeiro lugar, quem são vocês e de onde surgiu a ideia de criar uma marca de voltada pra o publico envolvido com musica extrema? 

Ninguém faz nada sozinho, contamos com ajuda dos weirdos, eles são:  

  • punkers, 
  • tatuadores, 
  • metaleiros, 
  • surfistas, 
  • skatistas, 
  • desenhistas, 
  • fotografos , 
  • videomakers e ate diretores de filme de terror,
  • desajustados em geral; 
  • todos amigos e colaboradores.

Porém, se você se refere a cobranças e processos por favor encaminhar para Santiago Roig, Etam Paese e para mim, Nicolas Delavy.

Não tínhamos a pretençãoo de virar uma marca “extrema”, foi algo natural, resultado pela opção de fazer peças que nos agradem em primeiro lugar, sem pensar no mercado. E assim quem gostava logo virava amigo, hoje temos muitos amigos por todo brasil e ate fora do pais.

Como vocês conheceram e se envolveram com música extrema? 

Eu particularmente tenho irmãos muito mais velhos que eu, e fui meio que criado por eles, quando eu nasci eles já eram adolescentes. Aos 5 anos de idade foram as primeiras referências musicais q eu tive, isso foi nos anos 80, eles tinham uma locadora de filmes na epoca do VHS, e tinham muitos filme de terror, meu gosto pelo lado obscuro começou ai desde pequeno.

Ao invés de medo eu tinha familiaridade com o tema.

Ouvi disser que  Etam ouvia os discos de vinil do Black Sabbath dos pais dele ao invés de Balão Mágico, e o Santiago, eu já vi fotos dele criança cabeluda metaleira, aprendeu a tocar guitarra e bateria naquela gloriosa época thrash do Metalica!

Quanto ao gênero hardcore e variantes, nós conhecemos através de videos de surf e skate em vhs, na epoca que a internet nao era uma realidade nas nossas vidas.

Vocês são do sul e resolveram mudar com a marca pra cá. Como decidiram isso e como foi esse processo de transição? 

No começo tabalhavámos os 3 a distância. Conforme a marca foi cresendo, as idas pra SP do Etam e pra mim ficaram tão consecutivas que quando percebemos já estavámos morando ai.

O processo de transição foi lento, só agora depois de quase 5 anos estamos começando a conhecer São Paulo. Os primeiros anos mal saíamos do escritorio/casa, por falta de grana e por somos meio bicho do mato!

A casa que vcs fizeram de QG é animalesca. Primeiro que você chega e dá de cara com duas forcas na porta, vários bonecos e cabeças necrosadas pra tudo que é lado num espaço que mais parece um parque de diversões pra adulto maluco por filme de terror. Aliás o pico ainda tem mesa pra tattoo e ampli pra tudo que é lado. Como rolou esses espaço e como vocês se dividem lá dentro?

Voce ja ouviu falar em monotrilho? Essa maravilhosa forma de desviar grana e desapropiar imóveis?

Então, essa casa vai ser desapropriada por que está pra sair um monotrilho no Morumbi, como ninguém quer comprar ou alugar uma casa que corre risco de ser demolida, nós topamos morar nela e fazer nosso escritório-showroom.

Na parte de cima é onde nós moramos, só sobe quem é convidado, e embaixo a ideia era separar os ambientes por tema, ainda estamos decorando para enriquecer cada tema.

O show room é o único que tem o tema mais neutro, funciona como uma loja, expondo as nossas peças. Também tem a NEEDLE ROOM, com um tema old/hand made, e é onde o Etam tatua e Santiago costura.

A cozinha segue um tema de caça e pesca, la é onde convidamos os visitantes pra tomar um chá e apreciar os detalhes da decoração. Tem uma área externa também que as vezes rolam churrascos.

O lugar que mais ficamos é o escritório, onde criamos as peças, campanhas, e resolvemos pepinos. Lá respondemos emails geniais e também muitos idiotas!



Já rolou de alguém “normal” visitar o lugar e ficar chocado com a decoração? 

Felizmente rola isso quase diariamente, e digo felizmente,  porque nós estamos tão acostumados, que começamos a achar que ta tudo sem graça. Quando rola isso é um termometro bom pra nós.

Cara, depois que nego cresce e vira headbanger, tá pouco se fodendpra marcas, usa peita de banda e qualquer calça imunda e já era, tá resolvido. Mas com o público da Weird é engraçado porque parecem fãs de uma banda. Você sente que rola isso? 

Assim como o Sepultura surgimos dentro do brasil, porém “cantando em inglês”. Como o Ratos de Porão, estamos a cada ano mais sujos e agressivos, ao invés de nos adptar ao mercado , e mudar o estilo pra nos enquadrarmos ao mainstream.

Não temos clientes e sim fans, quem compra nossas roupas sabe o significado da estampa, nao está comprando apenas uma marca um logotipo, mas sim uma mensagem do que gostamos e muita vezes do q nao gostamos.

Na medida do possivel, temos uma relação muito direta e de amizade com nossos “fans”, procuramos conhecer a maioria deles pra saber quem são, o que pensam, o que fazem e se tem à ver com nossa realidade.

Raramente eles nos decepcionam, pelo contrário, muitos deles nos surpreendem com algum talento ou atitude e naturalmente eles acabam virando amigos e parceiros. Nós 3 não criamos nada sozinhos, sofremos muita influência dessa rapaziada.

Conviver com eles nos faz criar coisas novas. Estar misturados a eles em um show e trocar ideias de igual pra igual é a nossa realidade e nos mantém com os pés no chão!  

Porém essa relação acarreta uma responsabilidade e um poder de influência muito grande. Às vezes dá até um certo medo.  

Quando começamos a nos tatuar no estilo home made, logo vimos essa má influência em prática com alguns deles, nossas frases das camisetas viram expressões que eles usam com propriedade. Um dia ainda faremos algo que preste e aí tomara que eles também nos copiem! 

Mas hoje em dia estou certo de que nada disso eles fazem sem pensar, ou apenas pra pertencer ao grupo. Sinto que dizemos nas roupas muito do eles sentem e de alguma maneira somos porta vozes de uma mensagem globalizada, disléxica e perturbada de uma geração. Ou apenas somos uns pretensiosos de quinta categoria..

Hoje em dia muito do trabalho de vocês dá pra notar influencia do Vberkvlt, do Godmachine e do Mark Riddick. Hoje em dia, quem faz as ilustrações da Weird e como o trampo desses caras influenciam o processo de vocês? Quem mais vc citaria como influência para a Weird hoje?

A maior parte do que é criado vem de nós 3, porém, ideias surgem e os 3 dizem: “isso é a cara do lobo!”, aí entram os parceiros, quase sempre a ideia é nossa e procuramos esses weirdos pra fazer com o traço e pegada deles, um cara que é muito especial para mim, por ser um grande amigo antes mesmo da weird, é o Bad Deal, vulgo Marcelo Bacellar.

Ele foi o primeiro a ter espaço pra imprimir o traço dele dentro da weird. O cara fez a famigerada e disputada camiseta raglan el loco ramirez, a metaleiríssima Bacemet, a versao black metal do nosso logo entre outras.

Logo depois conhecemos Daniel Caciatore, (denielone), vocal da banda mais barulhenta da america latina o PRESTO?, e das caveiras mais nervosas q vc encontra nos muros de SP.

Ele fez caóticas criações inclusive uma versão maloqueira do escudo da cidade de São Paulo, e uma versão praiana da cidade de São Paulo (se liga >)

Até então, toda criação era feita sempre por nós 3 e sempre com nossos traços e características, e esses caras desbravaram uma nova maneira de apresentar nossas ideias, através de diferentes traços.

Já na fase mais atual, temos mais artistas colaborando, destaque também para um cara que era cliente/fan, e virou weirdo/artista, Victor Bezerra, esse carioca problemático, ficava mandando muitos desenhos feitos para a weird, e pô, pela atitude era muito bacana, mas não rolava visualmente, por que por mais que tivessem bons temas (zumbis e morte) o desenho dele era precário.

Mas o cara era persistente sem ser daqueles caras chatões, e ele continuava mandando coisas, só que cada vez mais espaçado. O pilantra tava ganhando tempo e aprimorando, quando do nada , abro meu email e tem tipo um desenho horripilante, de uma caveira cabeluda, na mesma hora mostrei pro Santi e pro Etam, e falei: “Cara, não dá pra dizer não pro muleque!”

E isso virou uma camiseta chamada Bezehemoth, e convidei ele pra vir a São Paulo ficar um final de semana, filrmarmos algo, ele ficou muito tímido, gaguejou muito na entrevista, mas com as câmeras desligadas ele se mostrou ser um fllha da puta igual a nós, chato velho e reclamão! um ano depois ele ja ta desenhando a terceira estampa e desenvolveu um traço bizarramente característico e que é a nossa cara. Se liga >


Tambem temos um filho adotivo, o LOBO. O cara é inexplicavelmente genial!!! Por favor acessem >


O mais legal e que todos esses caras não tem perfil de artistas, nem grandes egos envolvidos, e estamos pra lancar uma estampa que Mark Riddick fez para nós e outra do Tall Boy.

Além dessas influências visuais, somos muito estimulado por referências musicais, e comportamentais. Um cara muito presente na nossa vida e que nos ajudou a criar im crivo do que entra e do que sai da Weird é o Rogério Aguiar da banda Lo-Fi e ele nao é do mundo das artes visuais, pelo contrário, ele odeia e repele artistas, porém ele nos mostra tanta coisa nova e velhas, de discos a bandas, que acaba nos influenciando visualmente, principalmente nessa pegada thrash metal que temos imprimido nos últimos 2 anos em algumas peças.

Isso é total influência deste rapaz birrento! Para nós e os nossos meninos, ele é uma espécie de professor e tutor!

Saibam mais sobre aqui > e prepare seu coração pra fortes emoções e ereções…

Como você falou, o Riddick criou uma ilustra pra Weird. Aliás, não só fez a ilustra como também fez um post animal rasgando elogios pra Weird. Como rolou isso? 

Caras que sempre admiramos, como os irmãos Cavalera, os RDP, e neste caso Mark Riddick acabaram entrando em contato pois viram coisas nossas na maravilhosa rede mundial de computadores, e isso pra nós é a maior aprovação, porque esses sao caras que nos influenciaram desde o começo e isso prova pra nós mesmos que estamos no caminho certo.

Esses caras sao exemplos de como tiveram que enfrentar críticas, ódio e incompreensão. Quando rolou o contato do Riddick se oferencendo pra fazer algo por que gostou na nossa pegada, foi muito gratificante, e depois o que escreveu no site dele sobre a marca nos deixou de ego inflado, mas esse sentimento nao vai durar muito e vamos cair na real, pois pelo conteúdo da estampa, vai ser mais uma peça que vai encalhar e receber muitas reclamações e criticas.

Isso se os crentes da estamparia toparem estampar uma cruz imensa ao contrario com um papa putrefacto pregado nela!

Falar em influencia, é impossivel falar sobre isso e citar só ilustradores sem falar de música já que tudo desses caras é diretamente relacionado a isso e logo o da Weird também parece ser. Até porque a marca apoia diversas bandas do Hardcore ao Metal, e vice versa, parece que a imagem da Weid é tão forte que as bandas também passaram a procurar a Weird e deve aparecer coisa de todo o tipo hahaha. Como é esse envolvimento da marca com as bandas e quem são os “Weirdos” hoje? Você recebe muita proposta tranqueira?

Uma preocupação nossa é de quem esteja nos weirdos, esteja porque é realmente amigo, parceiro e nos estenda e que role essa troca de trabalhos, nós ouvimos o som e eles usam nossas roupas, tudo por gosto e afinidade e não por grana ou obrigação.

Já pintaram propostas de pagar pra ser parte dos weirdos. O fato de ter bandas respeitadas usando nossas roupas, faz com que algumas bandas queiram usufruir do status de estar ao lado dessas bandas, como já nos disse muitas vezes nosso tutor Rogério: “Estamos valorizando o passe de muitas pessoas!” eheh

Quais as bandas que vocês trabalham hoje e quais foram as últimas bandas entraram pro cast da Weird? Existe algum tipo de critério pra uma banda conseguir fazer parte da Weirdos?

É muito mais simples e não comercial ou marketeiro do que parece visto de fora.  

Os weirdos, tanto bandas quanto artistas, funcionam em um esquema de escambo, eles ganham descontos, algumas peças, fotos e videos que fazemos com eles. Em troca eles usam nossas roupas, nos ajudam de diversas formas, até braçaalmente.

Mas não rola uma cobrança de exclusividade nem nada do tipo, tudo funciona na base da amizade, quando podemos dar, nós damos. Muitos deles compram, com desconto mas, compram e se eles estão nos weirdos é porque já viraram amigos, ja ajudaram a carregar móveis juntos, já festejamos e nos ferramos juntos, e no caso das bandas, nós ouvimos o som deles em casa ou no trabalho.

Nós vivemos aquilo, não são apenas jogadas de marketing.

Várias camisetas da Weird levam a famosa “Save the planet, Kill Yourself” ou tem serial killer estampado, ou “Kill all Surfers”, cruzes invertidas, Baphomets e tudo mais…. Na real tudo da marca parece provocar alguém. Vocês já tiveram problema com isso? Digo, gente enchendo o saco e tudo mais? 

Nosso maior problema é viabilizar essas peças.

Os crentes que trabalham na estamparia se recusam a estampar esse tipo de coisa, e muitas vezes rola um atraso na nossa produção por isso.

Muitos não sabem, mas compramos brigas eternas e divinas, pra poder lançar as peças como queremos e ainda assim as vezes nao vem 100%! 

Nosso tag tem metade do rosto de jesus cristo e metade de Charles Manson, mixados em um rosto só. O cara da gráfica mandou agente ir buscar lá pois ele tinha nojo de por a mão naquela blasfêmia.

Tudo que criticamos ou contestamos é porque vivemos e tiramos provas ou conclusões, nada é rebeldia sem causa ou apenas para chocar.

Realmente não acreditamos em deus, a ideia de existir um ser soberano que tudo vê e tudo pode e mesmo assim o mundo ser essa barbarie injusta, é idiota demais.

Se ele existe então ele é um cuzão, que faz vista grossa à tudo o que acontece e ainda por cima se diverte castigando os pecadores, aliás, essa minha concepção de deus vai virar uma estampa feita por Bad Deal.

Além da marca, você mantém um tumblr com fotos animais, várias tiradas no QG da weird, outras em pistas de skate, outras em roles perdidos por ae ou de ensaios dentro da casa ou de tatuagens… Pergunta simples, bicho… Você ganha mais dinheiro que se diverte ou se diverte mais que ganha dinheiro? 

Eu ganho o suficiente pra me divertir, sem pensar em um futuro próximo. Desencanei disso… de ficar rico ou de programar um futuro, as coisas foram acontecendo e tirando a parte trabalhosa e chata qualquer empresa tem.

Eu me divirto muito, e tenho sorte de morar, trabalhar e me divertir com esses dois caras tão excêntricos e peculiares como eu.

Death Metal X Black Metal X Hardcore. Escolha o seu preferido e explica porque? 

Ouço mais hardcore que metal, mas muito do que ouço a mistura dos dois gêneros, me identifico mais com hardcore porque tanto em letra quanto em sonoridade, me empolga pra fazer as coisas, dá vontade de se erguer e agir, de não deixar que me humilhem, ou me subestimem.

E principalmente desperta em mim ódio e vontade de vingança, que é o que me move, e acho sentimentos muito necessários pra sobreviver no mundo atual.

Visualmente o black metal aparece sempre nas nossas criações, além disso, compartilho com a aversão do gênero tem contra as religiões e aqueles templos da hipocrisia chamados de igrejas.

Já musicalmente eu gosto muito como música ambiente para trabalhar, pra fazer uma faxina, ou até mesmo transar. Aquele clima denso, ruídos, mudanças de ritmo, é como música classica pra mim, me deixa tranquilo, mesmo tendo uns momentos sujos e rápidos, todo o clima em si é WEIRD!

O Death metal, com relação ao som, muito do que eu ouço hoje em dia é consequência dos pedais de bateria apocalípticos que o gênero trouxe! Além do som, a temática das letras, trazem um visual que é a nossa cara, as capas do grupo death por exemplo, podiam ser muito bem estampas da weird, como a capa de Spiritual Healing, que é a perfeita visão que temos sobre pastores e igrejas!

Cara, o Etam é um surfista conhecido no cenário, inclusive criou um modelo de shape muito menor pra praticar manobras quase de skate, só que na água. Porém a musica extrema é tão distante do surf que é quase impossivel fazer uma relação dessas. Eu particularmente nunca conheci nenhum surfista que estivesse relacionado ao metal de forma ativa. Rola algum tipo de cobrança de um dos lados? Digo, já chegou metaleiro aloprando por ser surfista ou o contrário? 

Eu vivo esperando esse tipo de abordagem de ambos os lados, mas nunca rolou, sempre ambos os lados o respeitam, porque ele é profundo conhecedor e colecionador de som pesado e ainda pra completar surfa muito, ai nao tem o que falar do cara!

SURF IS OVER!

Quais os planos da Weird pra 2012? Considerando que o fim do mundo é só no final do ano, tem um ano inteiro pra produzir ainda… 

Nossa mais nova tentativa de acabar com essas regras da moda, é abolir o esquema “coleção”.

Há algum tempo já estamos lançando as peças fora de ordem, sem seguir os cronogramas do mundo da moda, para o verão 2012. A nossa versão de coleção vai ser um look composto por: Viseira fluor, isopor para cerveja, regada machão com uma frase bem weird, beer bong e chapéu porta latas! ou seja o kit que daria calafrio em qualquer estilista!

(N. do IB: Faltou a pochete! Fica a dica)

Já para o resto do ano de 2012 planejamos relançar em versões redesenhadas de algumas peças que ate hoje nos pedem insistivamente. 

Cara, valeu pelo tempo… o espaço é seu, diga oq quiser. Hail Satan!

Nem bem nem mal, apenas estranho!  ou seja,  nao estamos aqui para fazer apologia ao demónio ou a maldade, mas sim para cultuar tudo que é estranho e ver isso como uma alternativa de vida! 

Também queria deixar um recado para os desavisados, ou vulgos: Filhos de Cegos( mais uma pérola de Rogério), parem de nos ver como uma forma de obter: ROUPAS DE GRAÇA+STATUS!

Cavalera Conspiracy - Blunt Force Trauma 

Gosto dos caras, e da mistura de thrash metal, death metal, e até stoner, na ótima versão de Electric Funeral do Sabbath, bom pra dar uma volta pela cidade de sao paulo

Neurosis - Times of Grace

Só conhecia essa banda de nome e pelas belas camisetas, até que uma amiga, Patricia Marins, me introduziu a esse mundo. 

The Dillinger Escape Plan - Calculating Infinity

Eu ouvia ele em 2000, e agora estou tendo o prazer de redescobri-lo.

Gallows - Grey Britain 

Não tem à ver com metal, mas o vocal raivoso e as letras são inspiradoras, ódio necessario.

Leptospirose - Aqua Mad Max 

Acabei de ganhar o vinil dos caras mas não tenho vitrola, então to ouvindo só no ipod, mas mal posso esperar pra ouvir na vitrola, os caras tocam muito, além de serem ótimos sujeitos.

http://nicolasdelavy.tumblr.com




Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Entrevista: Panos (DEPHOSPHORUS)

Caros(as),

A Grécia é mãe de várias bandas que eu sou absolutamente maluco, cujo as antigas nem precisam ser mencionadas, mas dois exemplos dessa ninhada nos últimos anos seriam sem dúvida o Dead Congregation e os astrogrinderos do DEPHOSPHORUS.   

"Dephosphorus é uma antiga entidade cósmica. Ele varre o universo em busca de civilizações e recruta os que encontra pra ajuda-lo A "desvendar" mistérios da criação e aquilo que está além do cosmos como o conhecemos." - Segundo a própria banda, que aliás, é toda baseada neste conceito, da arte ao conceito lírico com um som que foi feito exclusivamente pra matar barata, dado à violência da chinelada. 

Cru, sujo, podre e absolutamente espetacular, Axiom (2011), album de estréia do power trio já chegou pra encochar a mãe no tanque, pegar o controle da tv, esticar o pé na mesa de centro e colocar no documentário sobre Muhammed Ali (sem perguntar pro seu pai se tudo bem). 

Agora os caras lançaram outro cabulosísse, o Night Sky Tranform, que conta com a participação do Ryan Lipynsky (Unearthly Trance) e eu rolei uma idéia com o simpático Panos, vocal, líder cósmico e efetivamente um batalhador na cena grega, mantendo inclusive um selo, a Blast Beats Prod.

Se liga ae:  

1. Não tenho como começar essa entrevista sem que você explique o que é, exatamente, “AstroGrind”.

Nosso estilo músical é composto, logo, difícil de descrever. Inventamos o termo “astrogrind” porque:

  1. Crust e grindcore são enormes componentes de nosso background musical e
  2. O prefixo “astro” predispõe o ouvinte ao clima cósmico de nosso conceito e a atmosfera misteriosa que nossa música passa.

2. A parte gráfica dos lançamentos do Dephosphorus são bem foda e pelo que entendi, são todas feitas pela Viral Graphics. Como é o processo, no que concernem as idéias? Elas partem de vocês ou eles têm liberdade total para bolar as artes?

A talentosa dupla por trás da Viral Graphics são amigos e camaradas de muito tempo! Confiamos plenamente neles para criarem as visões que acompanharão nossa música.

No caso do “Axiom” eles foram os únicos responsáveis pelo conceito do artwork. Para o debut “Night Sky Transform” demos uma idéia básica do que queríamos para a capa, que é uma imagem mental que me aterroriza há mais de quinze anos e eles trabalharam em cima disso. O encarte do disco (o sucessor apropriado para o design de “torre” em “Axiom”) é mais uma vez um conceito 100% deles, é extremamente inspirador e uma das artes mais belas que já vi!

Espero que vocês concordem comigo…

3. Axiom foi um dos grandes lançamentos de 2011 e pode-se dizer que a banda é extremamente produtiva, levando isso em consideração. Como é o trabalho em estúdio? A composição/criação leva muito tempo?

Quando começamos a banda, sabíamos que em algum momento ficaríamo separados geograficamente de Thanos porque ele tinha serviços militares obrigatórios à cumprir, assim como seus estudos no exterior - na Suécia. Isso levou à um modus operandi extremamente focado, no momento em que recrutamos Nikos para a bateria.

Nosso objetivo era compor e gravar o máximo de música possível antes de sua partida. Foi assim que conseguimos gravar, entre o verão e o outono de 2010, 21 músicas no total de duas sessões. Isso inclui o material de nosso MLP “Axiom” que foi lançado em junho passado em formato gatefold pela 7 Degrees Records e em formato digital gratuito (que você pode baixar aqui!), nosso futuro debut “Night Sky Transform” e duas músicas para splits - um deles sendo um 7” EP com o Great Falls (contando com ex-membros do Playing Enemy!) que deverá sair este inverno como parte do pacote de assinaturas da Hell Comes Home.

Quanto as sessões no estúdio, nas duas ocasiões estávamos bem ensaiados então não perdemos tempo algum compondo ou ensaiando novamente. Só há uma exceção, que é a faixa “Uncoscious Excursion”, em que Ryan Lipynsky cantou e tocou guitarra. Essa foi uma adição de última hora ao tracklist do álbum, então Thanos e Nikos tocaram um pouco a faixa umas duas ou três vezes e correram pra gravar!

4. Ainda sobre o Axiom, percebi que se trata de uma gravação ao vivo, o que é chocante dada a puta qualidade que o disco tem! Quanto tempo levou pra gravar o disco? Gostaria que você comentasse um pouco sobre o processo de gravação e se tem alguma história ou momentos engraçados no meio disso que você gostaria de compartilhar.

A bateria e as trilhas básicas de guitarra foram, de fato, gravadas ao vivo, o que adicionou ao som “fresco” que o disco tem! As sete músicas do “Axiom” levaram cerca de 10 horas para serem gravadas.

Temos sentimentos e memórias confusas em relação à gravação, porque foi tudo marcado por uma colaboração decepcionante… 

No geral, estávamos bem relaxados e confiantes porque háviamos ensaiado intensamente o material antes de entrar em estúdio. A gravação foi feita durante uma onda de calor do verão ateniense, então eu lembro que estava QUENTE PRA CARALHO!

Tinha uma escola de artes marciais ao lado do estúdio, ouvíamos um monte de gritos quando não estávamos gravando!



5. O som em Axiom me lembra muito a ferocidade dos conterrâneos do Dead Congregation (uma das maiores bandas surgidas nos últimos anos), só que mais focado no grindcore. Você concorda? Você vê o som do Dead Congregation como influência direta em seu trabalho? E para encerrar a pergunta, gostaria que você comentasse sobre as influências diretas neste disco.

Entendo porque podemos ser interpretados como uma versão grind do Dead Congregation e isso é um elogio dos mais gratificantes!

Eles são nossos amigos e, na verdade, o fato de eu e Thanos tocarmos e compormos juntos há quase uma década agora é graças ao frontman deles, Anastasis! Tínhamos contato na época em que ele tocava no Straighthate, eles me testaram quando o primeiro vocalista deles saiu fora e, eventualmente, entrei na banda.

Quando Anastasis nos disse, durante o primeiro show do Kaamos em Athenas, que ele estaria saindo, pedi à Thanos uma fita-demo sua, no mesmo show e algumas semanas depois estávamos tocando juntos!

O DC não é uma influência direta, musicalmente, mas Thanos (nosso compositor) compartilha algumas raízes em comum com Anastasis: Immolation, Entombed, etc e tal. Eles nos influenciam em termos de integridade, execução ao vivo, dedicação à essência do que é metal underground e uma estética intransigente.

6. O play novo, Night Sky Transform, já nasce grande, tendo uma participação de Ryan Lipynsky, do fodidíssimo Unearthly Trance. Vocês tinham algum contato? Como isso rolou?

Eu mantinha contato com o Ryan já há uns bons anos e nós fizemos algumas entrevistas com o Unearthly Trance/Thralldom para a Metal Hammer Greece (revista para qual eu escrevo) através desse tempo…

Eu e Thanos somos fãs de suas bandas e sempre tivemos a esperança de fazer algo juntos no formato de um split EP ou o que fosse.

Como mencionei anteriormente, “Unconscious Excursion” foi meio que improvisada quando fomos ao estúdio gravar o “Night Sky Transform”. Apesar de nosso baterista Nikos nunca ter ouvido nenhuma das bandas de Ryan antes da gravação, a faixa tem um genuína clima meio UT/Thralldom e creio que isso poderia ser considerado como humilde tributo à ambas.

Ryan estava muito animado para participar, então ele escreveu as letras, o título e então os vocais, assim como a belíssima guitarra. Tudo foi gravado onde o UT ensaia, no Brooklyn, em Nova Iorque.

Amamos como a colaboração saiu, e sabe, isso é mais do que ter um extra na lista de pontos-de-venda do press release, haha. 

Ficamos felizes que o Ryan decidiu fazer parte dessa viagem e realmente se envolver nisso.

Na foto, Ryan:


7. Além do Dephosphorus, você tem um selo, Blast Beat Productions. Como você vê a cena atual, em termos de aquisição de material físico como cds, LPs, tapes, etc? A galera da Grécia ainda consome este tipo de produto? Ainda sobre o selo, qual o critério adotado ao lançar/distribuir bandas? É uma questão de gosto pessoal ou o selo é dedicado a algum gênero em particular?

Fãs verdadeiros de música undeground sempre apoiarão a cena ao adquirir discos, camisetas/merchandise, indo aos shows, etc. O que eu percebi – assim como todos – é que nos últimos anos as vendas de cds caíram. As pessoas ainda compram, mas não tanto quanto antigamente.

O que eu sei, com certeza, é que nas grandes lojas o número de vendas é catastrófico. O que não necessariamente preocupa o cenário underground. Tirando por mim mesmo, a maioria dos itens relacionados à música são comprados pela internet mesmo…

Lanço e distribuo apenas música que considero inspiradora. Até então, lancei apenas um punhado de discos, mas tenho orgulho de cada um deles, que são especiais, cada um a sua maneira. 

Não me prendo a nenhum gênero. A maioria de meus lançamentos são relacionados à grind e sempre tem algo de qualidade na distro mesmo, seja black, death, hardcore, grind, sludge, etc.

No próximo mês haverão meus primeiros lançamentos em mais de quatro anos: KOMMPOUND/HELLBOY 106 “The Mignola Split” em quantidades de tapes limitadas (ambient/noise, field recordings) e MUTANT SUPREMACY 7”EP (death metal oldschool devastador de Brooklyn, NY).

Dê uma conferida em Blast Beat Mail Murder.com para mais informações.

8. Ainda sobre a cena Grega. Vejo um monte bandas surgindo no underground, mas parece que o país ainda carrega a cruz (sem piadinhas) de ser “a pátria do Rotting Christ”. Como é a cena underground aí, cara? Há muitos festivais? Alguma banda que você recomendaria? 

Rotting Christ sendo a maior banda de metal grega de todos os tempos e tendo muito sucesso no exterior, rola meio que uma “síndrome RC” com muitas bandas novas tentando copiar o som deles. Por isso que penso que o metal grego está estéril criativamente (em linhas gerais) desde a segunda metade dos anos 90 até o início dos anos 00…

Nessa última década a “cena” meio que renasceu do nada, com algumas boas bandas trilhando seu próprio caminho e ganhando reconhecimento razoável de fora. Não sei dizer como anda a cena com um todo, neste momento. Sei que alguns anos atrás o público que ia à shows estava em baixa. Atualmente, as casas noturnas fazem alguns shows de graça, então imagino que mais gente compareça.

Há também alguns bons festivais locais organizados pelas próprias bandas que são baratos ou até mesmo de graça, bem massa.

Algumas bandas de metal/hardcore gregas que eu recomendaria:

  • Dead Congregation (of corpse)
  • End, 
  • Ravencult, 
  • Angstridden,
  • Bohemian Grove, 
  • Embrace Of Thorns, 
  • The One, 
  • Macabre Omen, 
  • Inveracity, 
  • Atavism, 
  • Necrovorous, 
  • Kvazar, 
  • Headcleaner, 
  • Sarabante, 
  • Ruined Families, 
  • Antimob, 
  • My Turn, 
  • I Want You Dead, 
  • Agnes Vein, 
  • Infidel, dentre outras que eu não lembro agora.

9. Como somos um blog brasileiro, gostaria de saber se você tem algum contato com bandas daqui, se você conhece ou curte alguma banda brasileira.

Infelizmente não temos contato com nenhum brasileiro além de vocês…

Recentemente eu peguei algumas cópias da tape do DEFY pra distro e elas são foda! Eu esperava qualquer outro d-beat/crust mas eles são bem mais que isso!

Óbvio que cresci ouvindo Sepultura (na maioria, os discos mais thrash), então a música brasileira teve um grande impacto em mim. Também amo Sarcófago e Ratos de Porão (dos clássicos). Fora o DEFY, a banda brasileira que mais me marcou na última década foi o ABHORRENCE e seu debut “Evoking the Abomination”. Eu amo aquilo! É um disco implacável e um dos meus favoritos dentro do brutal death metal.

Ah, acabei de lembrar de uma banda bacana de death metal, de meados dos anos 90 que havia me enviado uma tape para que eu resenhasse na época que eu fazia o Chaotik Webzine. Era o Anopheles, do Rio de Janeiro. A demo “Absention of Life” (sua única gravação) era bem boa pelo que eu me lembro.

Ainda ouço tapes, então vou dar uma desenterrada na coleção e ouvi novamente, pelo bem dos velhos tempos!

10.  Um som pro seu velório.

“Vers La Mort” da banda de black metal canadense AKITSA de seu último (e fantástico) disco “Au crépuscule de l’espérance”!

11. Panos, obrigado pela entrevista! Finalize como você bem entender!

Um hail para as hordas underground do Brasil e pra você, Vakka, muitíssimo obrigado pelo apoio!

“Axiom” grátis em http://www.dephosphorus.com/download-axiom e se gostar do que ouvir e ver, considere pedir nosso MLP e/ou camiseta…

Temos duas novas faixas de nosso futuro full-length “Night Sky Transform” em streaming em http://dephosphorus.bandcamp.com, confiram!

STARGAZING & VIOLENCE!

10. Só pra finalizar, gostaria que você comentasse os últimos cinco discos que ouviu que te deixaram de cara!

AKITSA “Au crépuscule de l’espérance”.

Não é um disco que tenha descoberto recentemente mas estou escutando-o sem parar quase todo dia há mais ou menos um ano e merece estar na lista. Os outros quatro são mais recentes…

Mutant Supremacy “Infinite Suffering”

Death metal do Brooklyn, NY

Defeatist “Tiranny of Decay”

Excelente grind dos EUA

The One “I, Master”

Black metal grego, lançado em 2008 mas só peguei a edição limitada em vinil agora

Scythian “To Those Who Stand Against Us…”

Deathrash épico do Reino Unido

Traduzido por: Thiago “Índio” Silva.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Entrevista: Digestor (GHOUL)

GHOUL!!!!!!

De longe uma das bandas mais legais hoje, aliás esse ano saiu o play novo dos caras e com certeza estará em uma caralhada de lista de cds do ano, primeiro porque o bagulho é foda mesmo, segundo por que toda a indumentária faz a banda ser 300 mil vezes mais massa. Veja, eles tem um robô gigante no palco, o rei do mosh, Kill-Bot. 

Eu resolvi trocar meia dúzia de palavras com o simpático cabeça da porra-louquice toda, Digestor (Sean MacGrath) que também é do Impaled, graças à sugestão do komrade @baronshell.

A entrevista ficou massa pra caralho, sério, vale os 10 minutos que você levará pra ler o bang todo. Falamos de um possível confronto entre o Kill-Bot e o Eddie do Iron, o genial clipe da Metallicus Ex Mortis e o porque da alopração toda com o Black Metal. 

Pega a breja, planta a bunda nessa buça de blog e “vamo que vamo”, como diria Nietzsche. 

Cara, eu queria começar perguntando sobre o surgimento do Kill-Bot. Digo, de longe, é a coisa mais foda que poderia acontecer no meio de um show.

Ele foi construído pelo covarde do Ghoul Hunter. Depois que o destruímos pela primeira vez, ele foi revivido por aquele culto ridículo que tomou a Creepsylvania de assalto por um tempo. Agora ele está no fundo do pântano, de onde nunca deveria ter saído.

Você acha que o Kill-Bot poderia dar uma surra no Eddie, do Iron Maiden?

É claro, ele tem uma porra dum CANHÃO DE RAIOS.



O quão distante a Creepsylvania fica de Oakland?

Que merda é Oakland?

 

Através dos anos você colaborou com uma caralhada de bandas, inclusive tocando bateria em algumas delas, entre as quais o fodidíssimo MORBOSIDAD. Algum destes projetos ainda está na ativa?

Sei que o Morbosidad está na ativa, mas nenhum de nós nunca esteve nessa banda. Tentamos devorá-los certa vez, porém. 

(Nota do IB.) Negou o Morbosidad assim como ao Impaled (como verá lá embaixo) afinal ele é o Digestor e não o Sean. 

O clipe de Metallicus Ex Mortis é genial! Queria que você falasse um pouco sobre a criação do vídeo. Vocês acompanharam o trabalho com Aesop e Ezra Dekker ou tudo partiu deles? Por sinal, preciso saber: aqueles desenhos são do Aesop ou do Crud Wizard?

Aesop e o Crud Wizard fizeram o vídeo por conta própria, na verdade. Você percebe que não temos nada à ver com ele porque, no clipe, matamos um Juggalo. Nós nunca mataríamos um Juggalo. Só o aleijaríamos.

Acredito que os desenhos tenham sido uma colaboração entre os dois. Fizeram um bom trabalho, não?




Sei que pra vocês o GHOUL é uma banda de amigos curtindo e tal, mas o público vê a banda como um projeto de grandes nomes do metal americano. Você acha que isso promove a banda, de alguma forma? (Digo isso porque nego vê o line-up e pensa “puta merda, alguns desses caras tocaram no Impaled, Ludicra, WITTR, etc”)

Somos canibais que moram em catacumbas no subterrâneo de um cemitério e não temos nenhuma relação com essas bandas.

 Se tivéssemos qualquer ligação com elas seria certamente para arruinar suas reputações ao invés de enaltecer as nossas. Que fã respeitável de Wolves In The Throne Room se impressionaria com o Ghoul? A gente nem usa incenso no palco!

Se você pudesse programar o Kill-Bot para matar apenas uma pessoa, quem você escolheria: Varg Vikernes ou Glen Benton?

Cê tá louco? Não vou responder isso! (Varg.)

Não é exatamente novidade que vocês alopre tudo relacionado ao Black Metal, seja o Euronymous ou aquele cara com peita do Burzum sendo dilacerado no clipe de Metallicus Ex Mortis. Você diria que tem um problema com essas bandas norueguesas dos anos 90 ou até mesmo com as coisas mais antigas tipo Celtic Frost, Venom, Sepultura antigo…?

Tem muito Black Metal bom por aí, incluindo quem zoamos, mas qualé, né? É mole, tirem essa maquiagem de palhaço e venham curtir com uma banda de verdade!

Uma banda que usa sacos nas cabeças!

As artes do Ghoul sempre saem fodas, quem cuida disso? Vocês dão um tema e o artista tem toda a liberdade pra fazer o trampo? Como funciona o processo?

Eu desenho muitas das camisetas, geralmente baseado em alguma música ou nome de disco. As capas são bem nesse esquema que você descreveu, mas esqueceu de mencionar a parte em que torturamos o artista até que ele tope fazer tudo de graça.

Transmission Zero já nasceu um clássico e tem tudo para ser considerado um dos grandes lançamentos de 2011, quase cinco anos após o espetacular Splatterthrash. Quanto tempo levou entre as composições e as gravações?

Compôr demorou bem mais. Anos, na verdade, já tirávamos folgas para queimar orfanatos, profanar covas e quebrar parquímetros. A gravação em si, demorou só umas semanas.

Dois sons do Transmission Zero têm essa pegada de Rockabilly/Surf Music das antigas (que já tinha rolado em outros discos),  que soa animal e não soam tão estranhas no contexto do disco. É algo planejado ou é só uma jam que vocês decidiram gravar desse jeito?

Que nada, é tudo composto de forma metódica. Só que soa como se não soubéssemos o que estamos fazendo.

Planos para um disco novo do Impaled?

Sei lá, pergunta deles!

Essa é uma pergunta que eu gostaria de fazer por conta do fãs de thrash por aí, lá vai: sei que você é um puta fã de Megadeh, dentre outras bandas e como devemos ter mais ou menos a mesma idade, você cresceu vendo o Big Four se esbofeteando por toda a mídia… Slayer cagando no Metallica, que fazia mesmo no Megadeth, que por sua vez, tentava foder com todo mundo. O que você acha do Big Four? É só pela grana ou eles ficaram velhos mesmo e querem ser enterrados em cemitérios cristãos após alcançar a redenção?

Megadeth ainda manda bem, apesar da triste conversão de Mustaine. As outras bandas bandas eu nem acompanho mais. O Metallica não tinha virado COUNTRY?

Aposto que você respondeu isso um bilhão de vezes, mas nunca pr’um blog brasileiro, então vale à pena: seu vocal é muito parecido com o do Jeff Walker, à ponto de ser preciso teste de DNA pra provar quem é quem e Impaled e Exhumed, bandas em que você tocou, são diretamente influenciadas pelo Carcass.Você acha que isso traz muitas comparações ao Ghoul? Te chateia responder esse tipo de pergunta ou é um negócio já automático?

INICIANDO PILOTO AUTOMÁTICO… PILOTO AUTOMÁTICO ATIVADO… Eu amo Carcass e os vocais de Jeff. Claro que ele é uma influência, ele é foda! PROBLEMAS NO PILOTO AUTOMÁTICO… Cacete, nós vamos bater! ARRRRRRGHHHHHHHH

Você tem ouvido alguma banda daqui, recentemente?

Ouvi o Beneath The Remains pela 8000ª vez. Isso conta?

Digestor, valeu pelo seu tempo e pelas palavras. Hail Satan!

Que tal embrulhar tudo com um belíssimo e enorme laço rosa?

Muito obrigado!

Engorged - Where Monsters Dwell

Funerot - And Then You Fucking Die, Man

Punishment of Luxury - Laughing Academy

A.N.S- Pressure Cracks

Population Reduction- Each Birth A New Disaster

Traduzido por: Thiago “Índio” Silva.


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Entrevista: Attila Csihar Pt. 2

Chegou o momento da segunda e última parte da entrevista com A Lenda. 

Na primeira, além do foco ter sido seus projetos paralelos, como o Sunn O))), o Attila terminou falando sobre a auto-canificina do Dead no casarão e as famosas fotos do ocorrido. 

Agora ele continua e acrescenta sua opinão não só sobre este fato, como o foco da conversa torna-se o poderosíssimo MAYHEM, shows, suas vestimentas e um pouco sobre “política”. 

"Attila, come on the stage" - Maniac

Por Raquel Setz. 

Era o amigo dele, não apenas um cara que ele viu na rua. Como alguém pode ser tão frio a ponto de tirar fotos de um amigo morto? Não entendo isso.

Bom, concordo com você… Eu não estava lá, então não sei o que aconteceu, mas… (hesitante) quero dizer… você sabe… O Euronymous também era louco, todo mundo tinha essas ideias loucas. Não acho que ofende ele ter tirado essas fotos, mas o que ofende é que uma outra pessoa publicou isso. Porque ele tirou essas fotos só para nós.

Era o melhor amigo dele, e como Mayhem sempre foi sobre morte e coisas além da vida, entendo por que ele fez as fotos. O que aconteceu é que, depois que o Euronymous morreu, essas fotos vieram a público. E esse é o problema: alguém fez um bootleg de um show do Mayhem – Mayhem é uma das bandas que mais tem bootlegs, temos centenas de CDs e vinis de bootlegs. Não é bom para nós, especialmente quando usam uma arte que vai contra nossos princípios, porque nunca colocaríamos os miolos estourados do nosso amigo em uma capa, sabe. É uma coisa muito primitiva e meio nojenta.

O Mayhem é muito mais supremo, temos uma consciência mais elevada. Acho que é um nível de consciência muito baixo colocar… foi outra pessoa que fez isso e é uma total falta de respeito.

Nem preciso dizer que alguém está ganhando muito dinheiro em cima disso. Roubou a foto do nosso irmão, colocou na capa. Parece extremo, mas ganhar dinheiro usando o sangue do nosso amigo não é legal. Somos contra isso e ainda estamos procurando… Posso te dizer que alguns de nós são realmente malucos com isso, querem achar as pessoas que fizeram isso.

Acho que algum dia essas pessoas vão ter que enfrentar algum tipo de consequência, ninguém pode fazer isso de graça. O Mayhem lançou apenas quatro álbuns durante toda a carreira e talvez uns dois ou três EPs, incluindo as demos. O resto são takes roubados de ensaios, gravações roubadas de shows.

Quando você sai por aí e vê umas camisetas pirateadas, é ok… não é ok, na verdade, mas podemos lidar com isso. É até divertido ver que, ao redor do mundo, as pessoas estão fazendo camisetas com o logo do Mayhem. Pessoas copiam os CDs e eles vão para na Internet, isso também é algo com que podemos lidar.

Mas quando as pessoas fazem esses lançamentos no nosso nome, sem ninguém saber… Sei que muitas pessoas acham que foi o Mayhem que lançou o Dawn of the Black Hearts.

Eu também achava…

Absolutamente não! É o contrário. Ainda estamos atrás do cara que fez isso. E se ele – ou ela, mas acho que é ele – for achado algum dia, vai ser uma conversa interessante, isso posso te dizer.

Vai ser mais do que isso. Porque não é legal e ficamos malucos com esse tipo de merda. Claro que somos músicos, não somos uma força policial (risos), mas é como você disse: você pensou que nós tínhamos lançado. Imagine como é doloroso pra nós ver essa merda ao redor da porra do mundo todo! Desculpe, é que é muito irritante.

Mas você é contra todos os bootlegs do Mayhem ou só esse em particular?

Esse aí com certeza. Mas, basicamente, sou contra todos. Porque nós somos a banda, deixe que nós decidimos o que é material para ser lançado. Não estamos interessados em lançar uma fita tosca de ensaio, não representa nossa visão. Essa gravação é para nós, para ouvirmos o processo, mas não é a visão final do disco.

E é por isso que não lançamos nossas fitas-demo antigas, nunca. Mas sempre tem alguma outra pessoa fazendo isso.

Vocês estão trabalhando em um disco novo?

Sim. Dessa vez vai demorar ainda mais tempo porque mudamos a formação. Blasphemer, que participou dos três últimos discos e estava na banda há dez anos, ele é um grande músico, mas teve que sair, porque tinha visões diferentes. Ele tem uma banda com a namorada agora e faz um tipo diferente de música, toca em outras bandas também, enfim… diferentes do Mayhem.

Temos dois novos guitarristas, mas demora muito até chegar ao ponto… podemos tocar ao vivo, e está indo tudo muito bem, muito promissor, mas um disco novo ainda tem que ser um disco novo.

Começamos a trabalhar nisso recentemente e vai levar um tempo. Estamos um pouco adiantados, então temos esperança de já gravar no ano que vem. Mas não temos pressa. Não somos uma banda que precisa lançar um disco novo por ano (risos), nunca fizemos isso. Mas as pessoas sempre perguntam, nossos amigos querem ouvir material novo – isso também é muito inspirador.

Então mais cedo ou mais tarde haverá um novo disco do Mayhem. Sempre queremos fazer o melhor disco, então esse será o melhor disco do Mayhem de todos os tempos. Veremos (risos).

Sobre os seus figurinos: eles se tornaram uma coisa bem característica. Quando começou a usar essas roupas doidas? Foi na época do Tormentor?

Na verdade, sim. Mesmo na época do Tormentor, nós já… a primeira vez que eu fiz, por exemplo, essa maquiagem que chamam de corpse paint, me inspirei no teatro e em uma banda meio psicodélica chamada Alien Sex Fiend, foi ali que eu vi essa maquiagem branca na cara do vocalista. Era uma coisa totalmente nova e com o Tormentor usávamos alguns figurinos de teatro.

Também nos inspiramos no Alice Cooper, King Diamond e em todos esses caras que usavam elementos teatrais na música. Paralelamente, no Mayhem acontecia a mesma coisa. O Dead começou a usar esse corpse paint. E a partir de então toda banda de black metal passou a fazer isso. Mas, no meu caso, especialmente com a turnê promocional do disco Ordo ad Chao – o disco todo é sobre ordem e caos em vários níveis – fazia parte do conceito da turnê eu usar vários personagens diferentes.

Tinha muita coisa doida. Foi bem intenso, interessante e divertido também. No entanto, tenho que dizer que foi preciso muito trabalho extra para desenhar todos esses figurinos. A maioria é ideia minha, o Blasphemer também colaborou em algumas coisas. E outras vezes usei auxílio de outros artistas, como um amigo meu da Hungria que me ajudou com a costura e tal – que eu não sei como fazer. E eu também conheço esse escultor, Nader (Sadek), dos EUA (N. do IB. Ele é egípcio e mora nos EUA).

Pedi se ele poderia fazer umas máscaras para mim, e ele fez. Agora está um pouco menos, não mudo radicalmente os figurinos, mas eu tenho que ter roupas de palco. Não me sinto confortável subindo no palco com minha roupa do dia-a-dia. Algumas bandas fazem isso, mas nossa música tem esse elemento teatral. E também é para mim mesmo, para atingir essa consciência, o que gosto de sentir.

Os figurinos e a maquiagem garantem isso. É quase como uma coisa tribal. Os xamãs não colocam figurinos para parecerem bacanas, eles colocam para se conectar com o mundo espiritual. É parte do ritual e da transformação. Tem um aspecto espiritual profundo.

No meu caso, sinto que consigo me apresentar melhor, consigo cantar melhor. E eu gosto também.

Vi uma foto de um show do Mayhem em que você está usando uma fantasia do Pernalonga. Pode me contar sobre isso?

Sim. Essa ficou bem famosa. É da turnê do Ordo ad Chao. O Pernalonga foi bem extremo. Foi na França, e fizemos para desafiar as pessoas e ver o quão longe poderíamos ir. Foi na época da Páscoa e tal (risos). Naquela turnê eu fui de tudo: um chef cozinhando no palco, um alien, De Gaule, uma múmia – gosto da múmia: mumificação é um jeito de lutar contra a morte, conservar seu corpo para a vida eterna.

Também tinha outras coisas… na Holanda, fui um traficante de escravos, porque na idade média a Holanda foi um grande país traficante de escravos. E eu até achei um cara negro, foi muito engraçado. Consegui achar esse cara negro em Roterdã, ele era um artista ou algo assim. Eu estava usando uma roupa de capitão e entrava com ele acorrentado no palco. Não foi algo contra as raças. Na verdade, foi contra o racismo. É pior para os brancos do que para os negros ser confrontado com essa parte da História.

Na foto: Attila como mercador de escravos. 

Fui um ditador em Moscou e em Israel, várias coisas loucas. 

Tinha uma fantasia de Hitler também. 

Sim, o ditador. Lembra Adolf Hitler, porque eu estava usando uma roupa militar e coloquei um bigode. Para mim, foi bem desafiador. Eu pensei: “Vamos ver o que vai acontecer se eu subir no palco assim. Talvez alguém pule no palco para me impedir (risos). Ou me mate”.

Era um desafio para a plateia e para mim mesmo, um jeito de criar alta voltagem no ar (risos). Quando subi no palco em Moscou, lembro exatamente: primeiro, foi silêncio; e de repente a plateia explodiu. Eles ficaram loucos e amaram. Eles entenderam a mensagem por trás. Eles tiveram que viver sob uma ditadura na Rússia por muito tempo. Então o ditador funcionou muito bem lá.

Esses figurinos sempre têm uma mensagem por trás, têm algo a dizer, e também servem para fazer o público entender que somos completamente livres e nunca vamos abrir mão disso. Fazemos o que queremos e, se você gosta, você gosta, se você não gosta, tudo bem, não precisa ouvir.

A mensagem dessa música é o pensamento livre e o espírito livre. Houve um período em que todas as fotos e discos de bandas de black metal pareciam iguais. Todo mundo tinha o mesmo corpse paint, a cruz invertida e toda essa merda que não era mais extrema de jeito nenhum. Você pode encontrar em uma loja de brinquedos!

Corpse paint é meio bobo às vezes. Como o corpse paint do Immortal… não é assustador, é engraçado.

EXATO! Quando o Dead fazia isso no Mayhem – acho que ele foi o primeiro a chamar de corpse paint – era porque ele era completamente fascinado pela morte. E a ideia dele era parecer que estava morto. Não era só corpse paint. Ele enterrava suas roupas na floresta, deixava lá por um mês, e então desenterrava e vestia, para parecer que ele tinha sido enterrado. E ele tinha um pássaro – acho que era um corvo – em um saco plástico e ele inalava o cheiro antes de subir no palco, porque ele queria estar totalmente envolto pela morte.

Algumas pessoas simplesmente vão na frente do espelho e colocam uma pintura preta e branca idiota e que não tem significado nenhum. É como moda. Eles acham que estão assustadores, mas é claro que não está funcionando. O que funciona não é o corpse paint, é a ideia e a pessoa por trás, o espírito por trás. Então é por isso que muitas dessas bandas parecem totalmente ridículas.

Estão só copiando, não há nada de original ali, algo que vem direto do coração, porque eles têm medo de fazer isso. Elas têm que corresponder a uma imagem ou a uma expectativa. Há uma banda chamada Watain, da Suécia, eles também usam corpse paint, mas é uma coisa diferente. Eles usam sangue podre verdadeiro, são fascinados pela morte e por algum tipo profundo de mágica ou algo assim.

Não é engraçado e dá para sentir o cheiro no show. Mas há pouquíssimas bandas fazendo do jeito certo, a maioria só copia. Se alguém olhar só na superfície, parece black metal, mas black metal, você sabe…você deve levar a sério. Na verdade, qualquer coisa que você faça. Se você toca música que não é pop – ou talvez até música pop – você deve levar a sério o que diz, deve sustentar suas palavras. É fácil copiar, mas a longo prazo não acho que funcione, você deve ter algo por trás.

É minha opinião. Na real, eu nem ligo, as pessoas podem fazer o que quiserem e o mesmo vale para nós: fazemos o que quisermos. Mas uma coisa é certa: o Mayhem nunca copiou ninguém, não faz nosso estilo.

Vi uma entrevista em que você diz que, quando conhece fãs do Mayhem depois dos shows, eles sempre dizem – ou você percebe – que eles estão felizes e aliviados. Acredita que a sua música pode ter função de catarse?

Eles estão mais para satisfeitos depois do show. Acho que no nosso show nós liberamos, juntos, todo o ódio reprimido, emoções negativas, depressão e todas essas coisas. Juntos nós lançamos de volta para o cosmos, devolvemos à natureza. E é por isso que as pessoas se sentem aliviadas, se sentem mais felizes.

Toda essa merda que você tem que carregar, porque a vida não é fácil, todas essas mentiras que temos que encarar todos os dias, todas esses sentimentos reprimidos… muitas vezes acontece dos líderes da Humanidade serem muito cruéis, corruptos e essa merda toda. Estão mantendo as massas em um certo tipo de escravidão – o que, é claro, causa depressão, tristeza, ódio.

Isso varia de pessoa para pessoa, mas esse é um ponto em comum. Todos queremos soltar isso. Acho que a música e os shows do Mayhem são exatamente sobre isso: liberar toda essa energia sombria e negativa do modo certo. Depois disso, as pessoas ficam de bom humor, felizes. É quase como se sente quando se cura de uma doença. Não somos pessoas sempre irritadas, agressivas. Eu gosto de estar com pessoas, só conversando e tal.

Ainda somos humanos, eu acho. Parcialmente, ao menos (risos). Então é assim que deve ser. Não fazemos música para que as pessoas se sintam um lixo, cansadas, para fazê-las infelizes, pra destruir. Estamos tentando devolver algo aos fãs, porque dependemos uns dos outros.

Respeitamos as pessoas que vêm aos nossos shows, nos importamos com elas, não vemos o público como nosso inimigo e sim como nosso amigo. É nosso tipo de exército (risos), e também fazemos parte desse exército, não somos necessariamente os líderes. É mais como uma comunidade de pessoas. Claro que chocamos as pessoas e falamos sobre o aspecto negativo da natureza, mas não queremos deixar a plateia doente.

Lembro que na época do Tormentor, e em outras vezes também, eu via pessoas em cadeira de roda, deficientes, nos nossos shows. Às vezes eu conversava com essas pessoas e elas me diziam que eu não podia imaginar quanta energia e força elas tiravam da nossa música. “Toda essa merda aconteceu na minha vida e eu senti que tudo tinha acabado, coloquei seu disco para tocar e isso salvou minha vida”: ouvi isso algumas vezes.

Comigo acontece mais ou menos a mesma coisa. Lembro de momentos na minha vida em que me senti um bosta e cheio de tudo, e aí coloquei meu disco favorito e aquilo me deu tanta energia. Não é necessariamente a pessoa, porque somos apenas ferramentas, somos apenas parte do Mayhem, tem mais a ver com a música. A música está acima de nós. Eu não poderia tocar Mayhem sozinho, ninguém poderia. Somos apenas partes e manifestamos algo, que é o Mayhem, que está acima de nós. Nós mesmos não entendemos o que é.

Quando você ouve um bom disco, você não pensa necessariamente sobre a pessoa que está tocando bateria, ou baixo, ou guitarra, você está ouvindo música por ela mesma, e essa coisa te dá esse sentimento ou essa energia indescritíveis, ou te coloca em harmonia, ou te dá muita força, ou te alivia em períodos difíceis.

Quando você está passando por bons períodos, você coloca o disco e se sente ainda melhor (risos). Boa música é sempre boa. É muito místico e não posso dizer o que é.

Ninguém pode dizer por que a música te coloca em um estado diferente, por que a música te faz pensar. E também é um problema para o sistema.

Vi um documentário sobre as operações da CIA nos anos 60, quando eles investigavam músicos. Se você escreve uma música sobre algo usando letras poéticas, talvez mais pessoas ouçam do que se fosse um político falando. 

Há muitas pessoas com mentalidade de direita e até de extrema-direita na cena black metal, até pelo NSBM. Como se sente em relação a isso?

Bom, não compartilho dessas ideias de jeito nenhum. Acho que a música deve ficar acima da política e eu nunca escrevi nenhuma letra, nunca mencionei nada na minha carreira sobre política.

O mesmo para o Mayhem. Claro que é verdade… gostamos de brincar um pouco com isso, só para foder com as pessoas, mas nunca foi além de algumas camisetas, alguns símbolos. No entanto, quando éramos mais novos tínhamos essas visões políticas, que nunca entraram na música.

Ps. Quem acha que a bandeira atrás do Necrobutcher é a do Piauí ae? _o_ _o/ _o_ - Errado pra vc aí do meio que levantou a mão.

Por exemplo, lembro que o Euronymous era super interessado pela extrema-esquerda, mas não no sentido político, ele estava interessado no aspecto mau da Humanidade: as ditaduras e como elas conseguiam manipular as pessoas. Ele se interessava por ditadores de extrema-esquerda como Pol Pot, pessoas que mataram milhões e milhões. Varg era mais da direita. E eu pensava: “Bom, me interesso pelo sol, pela natureza, pelas raízes da vida”.

Na minha visão artística pessoal, a política não se encaixa. Não estou dizendo que não existe razão para se importar com a política – devemos nos importar, senão outra pessoa irá fazê-lo e isso vai destruir nossas vidas. Temos que estar cientes das coisas, mas eu não colocaria na música.

A música deve estar acima disso. Política é um aspecto da vida humana. Não é do meu interesse, principalmente em termos de arte e música. Eu nem tenho uma visão política forte. Estou ali pelo meio. Sou contra o racismo e nazismo e extrema-direita. No entanto, fico surpreso das pessoas sempre falarem sobro o Holocausto. Se você olhar para a História, para Stalin, Pol Pot, olhar para o que aconteceu nas Américas quando os europeus foram para lá e mataram algo em torno de 30 milhões de índios (não sei da onde ele tirou esse número, então…) Que tipo de holocausto é esse?

Veja as colônias, tipo… bom, você é do Brasil. Ok, nós temos que lidar com isso, é História. Mas é tudo História. Eu gosto da História antiga, essa é minha inspiração. As colonizações, como a do Império Britânico, eles simplesmente iam aos países, matavam os nativos em nome de deus. Eles usaram o cristianismo para dominar os países, controlar, abusar das pessoas, pegar todos os recursos naturais e toda essa merda.

É complexo. Então, em um certo ponto, a Segunda guerra e o nazismo são superestimados. É só mais uma coisa da História. Então não gosto quando as pessoas ficam contra os alemães. Eles não eram maus, era só o líder deles e a porra da filosofia e a manipulação das mentes. A mesma coisa acontecia na Rússia.

Sou da Hungria, cresci no final da era comunista e nós éramos, por sorte, mais livres, mas meus pais me contavam como era foda antes. Eles podiam matar qualquer um, por qualquer razão. Não havia direitos humanos, era maldade pura. É uma coisa complexa e não é minha praia, mas acho que é preciso ser cuidadoso e ler as bordas da história. E também acho que deveríamos poder questionar. Hoje, fazer uma pergunta já é quase um crime. As coisas deveriam ser transparentes e as pessoas deveriam ser livres para acessar informação sobre a História e fazer perguntas. Mas não faço parte de nenhum movimento político, não sou de nenhum partido e nunca fui.

Para mim, a vida tem níveis mais elevados, coisas mais elevadas para alcançar. Mas não sou um avestruz, não enfio a cabeça embaixo da areia. Política tem a ver com poder. Alguns amigos viraram políticos aqui na Hungria e eles dizem: “Attila, na TV sempre aparecem pessoas gritando umas com as outras no parlamento. Só que, depois disso, todas essas pessoas saem juntas, vão jantar, se divertir. É tudo teatro. É controle, poder e, é óbvio, dinheiro”. Talvez nem todos os políticos sejam assim, espero que não sejam, mas muitos são.

Não estou dizendo que é corrupção, mas é um aspecto da democracia. Democracia é uma grande ideia, assim como o comunismo, mas o problema da democracia é que as pessoas têm que votar. Então você precisa fazer com que as pessoas votem em tal pessoa, tem que fazê-las acreditar nesse ou naquele partido. É só manipulação. Mas espero que existam alguns políticos por aí que realmente se importem e que queiram fazer algo que seja melhor para a natureza, para as nossas vidas e para o mundo.

Sem falar de política, mas o Hellhammer disse que black metal é para brancos (“black metal is for white people”). Você toca na mesma banda que o cara…

É algum tipo de piada idiota. Não sei por que ele disse isso. (hesitante). Eu não sei, na verdade.

Desculpe, mas você deveria perguntar isso pra ele. Não acredito que ele tenha convicções sobre isso, acho que ele falou mais para foder com as pessoas, ele gosta de falar merdas desse tipo às vezes.

Sei que ele tem amigos negros. É estranho ouvir isso dele. Tenho certeza e conheço seu modo de vida então não acredito que haja nada sério por trás disso. Claro que na Europa existe um problema… por exemplo falávamos sobre as colônias. Países como França, Inglaterra, Portugal, Espanha, Holanda e alguns outros colonizaram o mundo por alguns séculos. Então eles tiveram que desistir, porque você não pode subjugar as pessoas pelo poder eternamente. Isso continua a acontecer na África e é muito triste. Mas vai acabar de um jeito ou de outro, mais cedo ou mais tarde. Mas todas essas colônias, as pessoas acabaram ganhando a liberdade de volta e elas tiveram a chance de se mudar para o país colonizador.

Então agora a Europa está cheia dessas pessoas do mundo todo e elas nem sempre são bacanas. A maioria é, mas… às vezes, elas não conseguem assimilar uma cultura diferente e aí começam a aparecer problemas. Mas não tem a ver com raças. O problema começou quando países começaram a colonizar outros países.

É muito complexo e não acho que eu seja a pessoa certa para falar sobre isso. Não me sinto inteligente o suficiente, tenho que muito o que aprender sobre o que aconteceu. Mas percebo que é um problema aqui e ali na Europa. Essas pessoas estão com dificuldades para assimilar uma sociedade diferente e isso leva a crimes, a um tipo de desintegração e tal. Devemos achar um jeito de resolver isso agora, a nova geração. Temos que consertar o que os idiotas dos nossos pais, avós e avós dos nossos avós foderam. Eles não pensaram no futuro, então agora temos um problema.

Ambos os lados devem ser mais abertos e se comunicar e encontrar uma solução. A música poderia ser muito útil, na verdade. Eu posso dizer isso com certeza, porque, por exemplo, tocamos em Israel e havia um monte de fãs do Mayhem lá. E daí eu fui para o Líbano e conheci vários fãs do Mayhem também. Esses países têm problemas um com o outro, mas isso é coisa de políticos, as pessoas são legais nos dois países. Isso mostra que a música é muito mais transcendental e pode construir pontes.

Na verdade, não posso concordar com a fala do Hellhammer ou acho que foi uma piada, porque nossa música deve ser para todos. Eu vi vários negros nos nossos shows nos EUA e foi bem legal. Então não… (hesitante) Eu não sei…

Ele estava só provocando.

Minhas respostas podem fazer parecer que eu sou um cara sério, mas na verdade fazemos muitas piadas, há um humor negro por trás das músicas. Não estou dizendo que somos palhaços, mas humor negro faz parte da nossa personalidade e da nossa vida. Brincamos muito (risos) um com o outro. Mas nunca brinco nas letras ou quando estou no palco. Mas na vida… gosto de sair com os amigos, fazer um churrasco, ouvir piadas, fazer coisas bestas como qualquer um.

Não vai contra minha filosofia de vida. Quando o Hellhammer falou isso, certamente havia um tipo de humor negro, humor sombrio, por trás. Gostamos de criar controvérsias, de foder com as pessoas. Acho que até já soa como uma piada… até já tivemos uma camiseta “black metal is for white people”, só pra brincar com “black” e “white”. Não era contra as raças. 

Anders Oden, que tocou no Celtic Frost e em várias outras bandas, diz que os crimes, como incêndios de igrejas e assassinatos, que aconteceram na cena black metal prejudicaram a música. Se tudo isso não tivesse acontecido, talvez o black metal fosse considerado uma forma genuína de arte de vanguarda. Concorda?

Não sei.

Essas atividades foram, de alguma forma, o resultado da música. Houve aquele período, mas se você olhar para nós desde então – e já faz quase vinte anos –, nada mais aconteceu, estamos só fazendo música. Foi atividade rebelde de gente jovem.

Acredito que muitos de nós passamos por esses anos, entre o fim da adolescência e o começo dos vinte anos, em que queremos testar os limites e ter experiências extremas na vida. Estávamos nesses anos. Havia um certo país, Noruega, e certas circunstâncias que aconteceram. No entanto, como já disse, nunca me interessei por essas coisas. Eu só me focava na música naquela época e hoje também.

Agora o Mayhem não tem nada a ver com essas coisas. Na verdade, as pessoas que se interessavam por isso ou morreram ou acabaram na prisão. Ao menos o Varg foi solto agora, mas ele cumpriu vinte anos (na verdade, foram 15) na prisão por causa dessas experiências infantis (risos) e assassinato, que não tem graça nenhuma.

Hoje somos muito mais adultos e vividos. Mas para mim a música sempre foi o mais importante. O resto talvez fosse divertido, ou interessante, ou empolgante de ver, mas eu sempre me foquei na música, esse é meu interesse pessoal. Essas pessoas que acham que a música foi prejudicada… não sei… por outro lado, começou uma nova… (hesitante)

Por exemplo, o Mayhem: o Mayhem ficou em ruínas depois que tudo isso aconteceu, a banda acabou. Eles tiveram que reformá-la – eu mesmo estava fora. Mas várias outras bandas apareceram, muitas bandas talentosas. Naquela época eu já tocava música eletrônica com uma banda chamada Plasma Pool, porque parecia que o metal extremo, e especialmente o black metal, tinha morrido. E de repente, ele renasceu.

Então eu discordo. Acho que essas coisas que aconteceram no começo dos anos 90 na Escandinávia podem parecer estranhas e totalmente insanas, mas por outro lado elas começaram uma nova onda, uma nova forma de música, e muitas bandas talentosas entraram em cena. E acho que a mensagem por trás de todas essas coisas era contra a religião e eu continuo concordando, apesar de não me importar se alguém é religioso. Mas religião tem a ver com poder e manipulação em massa – e isso é ruim, é algo que devemos nos colocar contra ou ao menos mantermos distância. Então não concordo: não foram apenas coisas ruins, coisas boas também saíram daquele período sombrio.

O futuro dirá quem estava certo. Mas continuamos aqui e isso é o mais importante. A meu ver, o Mayhem nem é uma banda de black metal, somos mais uma banda de metal extremo. Tivemos influência de black metal e fomos colocados nessa categoria por causa do Mysteriis e do Wolf’s Lair Abyss.

Antes disso, Deathcrush soava como death metal. Grand Declaration of War é bem difícil de categorizar, acho que é puro metal extremo, e Chimera também não é um disco típico de black metal. Ordo não é realmente um disco de black metal. Parte é contra a religião, mas é basicamente sobre ordem e caos e como isso aparece na natureza e na sociedade em diferentes níveis. Então não vejo Mayhem como uma banda de black metal.

Nós representamos o puro espírito livre do pensamento extremo e do modo de vida extremo. Porque não cantamos e tocamos e depois vamos para casa, somos caras legais, temos emprego e tal. Temos nossas vidas pessoais, mas realmente passamos por essas coisas e é o estilo de vida que temos.

Pessoalmente, eu sou cuidadoso. Pessoas cantam “eu vou matar, eu vou fazer tal coisa”, mas isso nunca acontece. Eu prefiro cantar letras que posso sustentar para sempre. É melhor tomar cuidado com essas coisas, porque tudo o que você diz ou faz pode voltar a qualquer hora.

O que te impressionou no metal extremo e na música experimental?

Comecei a ouvir música quando eu era bem novo, uns 5 anos ou algo assim. Era só música pop, mas com 8/9 anos descobri o heavy metal. Quando tinha 11/12 anos, ouvia punk rock e hardcore, além de metal, e aí eu conheci o metal extremo. Primeiro ouvi Venom, depois Destruction, Sodom, Slayer. Isso foi em 83, 84, 85.

Em 86, formei minha banda, Tormentor, fomos a primeira banda de metal extremo da Hungria. Não só metalheads vinham aos nossos shows, mas também algumas pessoas da cena punk, alguns skinheads e algumas pessoas que gostavam de música diferente, underground. Eu gostava de conhecer essas pessoas. Conheci uns amigos da cena punk e foram eles que me mostraram muita coisa. Um desses caras tinha uma coleção de discos e nela havia música experimental. Current 93 foi a primeira que eu gostei. É uma banda dos anos 80. Eles tocavam uma música bem sombria e experimental.

Quando ouvi, pensei: “Que ideia ótima!”, o disco todo soava como uma introdução do Bathory. Por esses amigos também conheci também Joy Division e música eletrônica como Skinny Puppy e Frontline Assembly, outras bandas experimentais como Psychic TV e Coil. E mesmo psycobilly bem velho como Demented Are Go e o Meteors antigo. Nessa época, eu me interessava por qualquer tipo de música que fosse extrema, diferente, underground e sombria.

Eu era mais aberto a esse tipo de música que outras pessoas e realmente curtia. Ainda curto. Ainda ouço vários estilos. Muita música industrial e coisas do tipo. Acho que é importante não ouvir só metal extremo, porque senão a cabeça fica fechada. É melhor ouvir estilos que eu não toco. Me inspiro muito nessas bandas e às vezes estou ouvindo esse tipo de música e tenho uma ideia.

É importante respeitar outras bandas e outras cenas porque às vezes a mensagem delas é muito parecida com a sua mensagem e a sua música, elas só explicam de um jeito diferente. Nunca ouço música pop – só às vezes, no rádio, mas não me interessa. Não me interesso por blues e jazz.

Mesmo free jazz, jazz experimental?

Talvez aí sim. São legais, devo dizer. Mas eu ainda não descobri de verdade, vamos colocar assim. Não conheço muito.

Também gosto de música folclórica, tipo música folclórica indiana, que eles tocam com cítaras e tablas e aquelas coisas. Pode ser bem extremo. Atualmente, tenho ouvido muito industrial e um pouco de psycobilly.

Manter a cabeça aberta não é muito comum no black metal. Os fãs querem que as bandas façam a mesma coisa eternamente. E mesmo o Euronymous disse: “Devemos manter nossas cabeças fechadas”. Como você lida com isso?

Respeito pessoas que ouvem toda vez a mesma música, não é um problema. Mas eu gosto de ouvir música diferente e fazer coisas diferentes. Quando faço um novo disco ou trabalho com uma banda, é importante fazer algo que nunca fiz antes, algo original e interessante. Muitas pessoas e bandas me chamam para cantar aqui e ali – o que é muito bom, fico feliz de ver que as pessoas me respeitam e querem ouvir minha voz -, mas para mim só é interessante se for uma coisa nova, diferente. Quando eu gravo, é muito importante ter novas ideias, novos modos de cantar, novas técnicas. Aí sinto que dei um passo para frente. Mas como eu disse: não ligo se alguém

faz sempre a mesma coisa. Há bandas que são legais e nunca mudam. Mas não é pra mim. Por exemplo, agora o Sunn O))) está meio na geladeira, viajamos muito fazendo shows. Não sou um integrante de fato, sou o que chamam de integrante-sombra. Sunn O))) são dois caras. Há dois anos, comecei um novo projeto, chamado Void ov Voices. É minha banda-solo, canto sozinho no palco. É bem novo e experimental. Uso uns efeitos na minha voz – no Mayhem, por exemplo, não uso nenhum efeito.

Tenho uma loop machine, então eu posso fazer esses cantos e duplicar minha voz, adicionar cada vez mais vozes e criar essa música meio que meditativa, só usando minha voz como instrumento. É bem desafiador ficar sozinho no palco só com um microfone e uns efeitos.Como a maioria das coisas que faço, é bem sombrio e experimental e possui uma atmosferaritualística.

Ainda não gravei um disco, só fiz shows.

Conte-nos sobre os shows que esteve fazendo?

Eram shows do Mayhem. Cada vez é uma coisa diferente, uma experiência diferente. Eu mudo o figurino, mudamos o set. É meio que uma experiência espiritual. Há momentos mágicos para nós no palco, quando sentimos que algo transcendental está se manifestando.

Para mim, o principal de fazer música é tocar ao vivo. É importante que a gente curta o que está fazendo no palco, assim o público pode curtir também, espero. Somos sempre maximalistas e tentamos dar nosso melhor, então às vezes é um pouco melhor, outras um pouco menos. Mas é sempre sobre detalhes e questões técnicas. É sempre muito intenso, estamos totalmente devastados depois do show.

É uma coisa bem física também, exige muito da respiração.

É bem intenso.

Sim. Eu e para o baterista fazemos um pouco mais de esforço físico, mas os guitarristas precisam de muita concentração e foco.

Fiquei surpresa com o show em São Paulo, porque o lugar não foi feito para receber um show de metal, tinha até um globo de discoteca lá. Mas vocês se saíram muito bem naquele ambiente.

Bom… obrigado. Às vezes tocamos em lugares que não são de metal, mas isso não importa, de verdade. Às vezes tocamos em um festival para uma multidão, e ainda assim você não sente a mesma intensidade comparando com quando tocamos em um clube pequeno, para relativamente poucas pessoas – e sentimos essa energia e esse contato total. J

á toquei em vários lugares diferentes na minha vida. Tudo depende do momento. Às vezes estamos em um bom local, tudo está certo, o soundcheck está ótimo, o som também, tudo parece perfeito, mas então o show não é tão intenso, por alguma razão. Outras vezes, estamos em um local e não podemos acreditar que vamos tocar ali (risos). Parece impossível. Mas aí fazemos um show totalmente incrível.

O que eu estou dizendo é: depende muito do momento, não podemos realmente planejar ou prever. Tudo está acontecendo no presente, no momento. É meio místico, eu acho. Música em si é mística. Se você pensar em termos físicos, que estamos criando som juntos e que esse som atravessa as paredes e passa por todo o corpo. Não só nossas orelhas, mas cada célula, cada pequena parte do seu corpo está no som.

Isso acaba afetando sua mente e nos eleva a um nível mais alto deconsciência, um tipo de êxtase e um tipo de nível sobrenatural de consciência

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Entrevista: Attila Csihar

Senhores(as), 

Que momento!

Brilhante e genial como o entrevistado de hoje, a lenda que dispensa qualquer introdução: Attila Csihar

Vou contar só como rolou a entrevista: Na época do show do Mayhem, eu recebi um email de alguém me perguntando se eu teria o contato de quem estava trazendo eles para o Brazil porque queria fazer essa entrevista. Como eu tinha, passei. 

A idéia inicial era que a entrevista fosse publicada em uma revista grade, mas não rolou. 

Tempos depois, recebo novamente email daquela pessoa dizendo que não rolaria na tal revista, se eu não gostaria de publicar. ESPETÁCULO! Belo presente.

A entrevista rolou da melhor forma, uma conversa por Skype e, por isso você vê que tá esquemão bate-papo. O Attila foi simpático pra kct, respondeu a tudo com uma puta boa vontade, não economizou nas palavras, tampouco no sentimento que coloca em cada resposta. 

Obrigado pelo presente, Raquel Setz.

  • Devido ao resultado ter sido gigante, a entrevista será dividida em partes, e você fica com a primeira agora. 

Attila Csihar - None above, none equal. 


Gostaria de começar falando da sua técnica vocal. Você teve aulas de canto lírico, certo?

Sim. Na verdade, foi há bastante tempo, no começo dos anos 90. Tive aulas com professores de canto para aprender técnicas de canto lírico, que são basicamente sobre respiração. Nas óperas antigas não havia amplificadores, então eles tinham que contar só com a própria voz, e é por isso que eles cantam tão alto. Eu estava interessado em aprender isso. Tive uns dois professores ao longo dos anos, e tentei aprender essas técnicas de respiração, essa respiração profunda. E aí é claro que usei pra cantar metal extremo. (risos) E eu pratico respiração. Dá para praticar em casa.

Eu deveria praticar, mas estou meio preguiçoso ultimamente. (risos) A voz é como um instrumento. Seu corpo é um instrumento e você tem que aprender a tocá-lo. Separar os músculos, coisas assim. E é saudável aprender a maneira correta de respirar. Quando eu era criança, só respirava pela boca, não sei por quê. Mas depois desses treinos aprendi a respirar do jeito certo.

Nunca rolou nenhum problema com sua garganta cantando dessa forma?

Não. Você aprende como fazer. Claro que minha garganta também foi ficando maisforte com o passar dos anos. Nunca machuquei porque você aprende a alongá-la, mas sem forçar.

É complexo. Basicamente, você relaxa a garganta e trabalha com músculos do estômago.



Nos discos com o Sunn O))), você explora várias possibilidades com a sua voz, até aquela técnica de monges, em que eles criam um harmônico na garganta. Como foi esse processo?

É bem interessante, gostaria de aprender mais. Acho que essa técnica é do Norte da Índia e do Tibet. Chamada “throat singing” (N. do IB - Rgyud-skad). Na verdade, sou autodidata, não tive nenhum professor.

Infelizmente, até agora não consegui achar ninguém que pudesse me mostrar exatamente como fazer. Eu deveria achar uns monges na Índia (risos) ou Mongólia pra me mostrar. Mas o que eu aprendi é que você faz esse formato especial com sua língua, cria uma câmara na boca e a ressonância acontece ali. Então além da sua voz, saem esses harmônicos. Ainda estou aprendendo. (risos). Provavelmente, vai levar uns anos. Não é fácil…

Ps. Se liga qual é o lance do Throat Singing > 



Imre Peemot: É um finlandês que também estuda essa técnica enlouquecidamente, quem me passou esse cara foi o Dmitry do Phurpa, quando falou de um projeto onde ele fizeram uma jam em um festival na rússia. Chamaram de The Droners, se liga o video aqui > 

Você já estava explorando essas técnicas ou foi para o Sunn O)))?

Me interesso por música e pelos vocais, então quando descubro alguma coisa gosto de usá-la. Sunn O))) é uma banda experimental, então eu aprendo muito com eles, tocando com eles, tocando ao vivo com eles, porque o volume no palco é tão alto.

É bem difícil cantar num show do Sunn O))).

Ainda sobre o Sunn O))), rolou de você cantar em um caixão. Como foi a experiência?

Foi bem legal, na verdade. Existe um escultor chamado Banks Violette, que faz umas esculturas bem modernas. Ele é um artista bem legal e nós fizemos a música em uma de suas exposições.

Foi em uma galeria em Londres e nós, a banda, estávamos tocando em uma sala no andar de baixo. E estávamos fechados nessa sala, ninguém podia nos ver. E no andar de cima ficava a exposição, e era exatamente os equipamentos e as guitarras transformados em esculturas, em esculturas brancas (Banks cobriu os amplificadores e instrumentos com uma camada de sal (se liga >).

Banks fez um caixão, o meu caixão, e eu tinha que cantar de dentro dele, o que foi uma experiência muito interessante. Quando a exposição foi aberta, nós começamos a tocar e o volume, é óbvio, estava bem alto, o prédio todo tremia.

Mas as pessoas não conseguiam nos ver, então elas só ouviam esse som intenso vindo da sala. Mas elas podiam subir um andar e ver a exposição. A ideia toda era a oposição entre andar de baixo/ andar de cima, branco e preto, nós estávamos lá, mas não estávamos. O caixão simbolizava que eu estava vivo, mas também morto… havia várias ideias bacanas por trás. Foi uma loucura cantar de dentro de um caixão.

Eu amo o Sunn O))) porque tive tantas experiências incríveis com essa banda. Às vezes tocamos em lugares bem estranhos, tipo… não sei se você ouviu o disco Dømkirke, foi lançado em vinil. Foi gravado na Noruega, em uma catedral. Foi bem intenso tocar lá. Foi uma experiência marcante porque eu pude tocar o órgão antes do show. Eles têm um órgão gigante lá. Era um sonho de infância, um dia tocar um órgão, mas como você faz para tocar um órgão em uma igreja?

Normalmente, não permitem que façamos isso, mas daquela vez eu pude. 

Era o segundo maior órgão da Escandinávia. Eu gosto do Sunn O))) porque… por exemplo, em Nova York nós tocamos em um templo maçônico (risos), o que também foi interessante. Às vezes tocamos nesses lugares e é totalmente diferente do Mayhem. Gosto de fazer coisas diferentes, tentar coisas diferentes.

Uma coisa que me intriga é que com o Sunn O))) você toca em catedrais e templos. Nunca teve algum problema? Nunca o administrador de um desses lugares deu um Google na banda e descobriu que você cantou com caras que queimavam igrejas?

Eu nunca participei de nenhum incêndio a igreja (N. do IB, nói sabe as fita, Brito), mas conheço a história e eu estava lá, quero dizer, estava por lá. Quando tocamos na Noruega, eles promoveram o show como um show do Sunn O))), eles não colocaram quem estava na formação. Provavelmente, se ouvissem meu nome, não teríamos permissão para tocar lá. Eles não sabiam que eu estaria lá (risos). Mas para mim, é legal transformar essas igrejas em… quero dizer, não sou religioso, mas acho que as construções, as catedrais em si, são legais, são bons lugares para se fazer show.

Na verdade, eu prefiro tocar em igrejas e transformá-las em casas de show do que queimá-las (risos). Talvez.

Certamente é melhor haha.

É. Foi bem extremo o que fizemos na igreja. A música, o som era tão intenso. Na verdade, o padre não queria que tocássemos lá, mas o cantor, o cara que toca órgão e canta na igreja – esse cara é ligado ao mundo das artes e da música. Ele disse que – porque sempre há concertos de música clássica lá – que eles deveriam deixar a igreja ser usada para música mais moderna. Ele era bem poderoso e pode fazer mesmo com o padre não querendo.

Foi um êxtase para mim. Pude cantar nesse lugar grande, e todos os ecos. Uma atmosfera bem especial.



Voltando no tempo, em entrevistas você disse que ainda moleque você já ouvia heavy metal e coisas experimentais, como Swans. Sei que a Hungria era bem mais aberta que os outros países do leste europeu, mas era fácil achar esses discos e a música extrema era totalmente perimitida nessa época?

A Hungria foi muito influenciada e ocupada pelos russos, o exército russo estava presente no país.

Mas, em 56, a Hungria teve essa revolução, que foi uma confusão, e o exército russo trouxe mais forças ao país. Os russos que haviam ocupado a Hungria foram pro lado da Hungria e no fim eram russos lutando contra russos (risos). A revolução foi esmagada, mas pelo menos depois disso nos tornamos um pouco mais livres que os outros países. Podíamos viajar para o ocidente uma vez a cada três anos.

Tínhamos que tirar visto e era meio complicado, mas ainda assim podíamos fazer. E assim algumas comodidades e discos entravam no país, então era mais fácil achar música aqui do que em outros países do leste europeu. Os outros não conseguiam atravessar a então chamada cortina de ferro – que era literalmente uma cortina de ferro, com cercas, torres de observação militares, militares tomando conta. Mas nós, húngaros, éramos mais livres, podíamos ir para o ocidente, tínhamos coisas. Também dava para encontrar uns discos vindos da Iugoslávia, mas não de metal extremo. Metal extremo tinha que vir de fora. Em Budapeste, onde eu moro, havia duas lojas privadas de discos, pequenas, onde dava para encontrar alguns discos.

Consegui o disco do Bathory quando foi lançado.

Então não havia censura em relação à música?

Sim, mas não era tão dura. Se você não falasse sobre política nas letras… por exemplo, letrasanti-religião não eram tão mal vistas. Eles não gostavam muito, mas não era censurado. Se você começasse a falar de política, seria censurado imediatamente, talvez até preso. Mas os comunistas também não gostavam de religião, então não íamos muito contra o sistema.

É claro que você tinha que ter cuidado. Eles não gostavam do nosso visual, da nossa música, mas ao menos não nos censuraram ideologicamente. No fim, o disco do Tormentor não pode ser lançado por alguma razão estranha. Não dava para lançar discos, mas dava para fazer shows. Se ninguém chamasse a polícia, estava ok.

Sobre o De Mysteriis dom Sathanas, sua voz nele é bem diferente da voz do Dead. É mais sóbria e até mais melódica. Por que optou por esse caminho?

É bem simples de responder: Porque eu não gosto de repetir, nem a mim mesmo.

Sempre gosto de experimentar, descobrir coisas novas. Se você olhar para os discos do Mayhem, todos os discos soam muito diferentes. Mesmo o meu trabalho, quando canto em uma banda ou em outra, é diferente. Então eu gosto de usar vozes diferentes.

O que aconteceu, basicamente, foi que tivemos alguns ensaios, estávamos conversando e experimentando como soava. Eu podia gritar os vocais, no jeito mais tradicional de se cantar black metal. Mas eu mostrei pros caras algumas coisas diferentes, como aquela voz mais grave com um toque de melodia, também a voz do padre. Eles adoraram tanto que decidimos usar. Não foi só ideia minha. Claro que foi estranho, mas na música você deve fazer o que te satisfaz, o que você pensa que é certo, mesmo que todo mundo esteja dizendo que é errado.

Ouvi dizer que quando o disco foi lançado as pessoas ficaram surpresas e céticas, e algumas não gostaram. Mas com o tempo, elas entenderam – quase todas – porque hoje elas falam de como esse disco foi importante. Precisou de um pouco de tempo. Lembro que, quando eu era moleque, os melhores discos, os que se tornaram meus favoritos, eu não gostei de cara, achei estranhos. Quando me deparo com um disco que é estranho e esquisito, mas também percebo que alguém está tentando algo diferente, dou uma segunda chance e tento ouvir mais uma vez e até uma terceira vez. E então você começa a sacar. Para alguns discos e algumas músicas, é preciso mais tempo para compreender. Por exemplo, nosso último disco.

Ordo ad Chao. Pessoas que escolhem um disco baseando-se em como ele soa nos primeiros cincosegundos provavelmente descartaram de cara. Mas as pessoas mais cuidadosas viraram fãs. Por exemplo, um cara da Metal Hammer alemã contou que à princípio ele não gostou do disco, achou que soava muito, muito estranho. Mas aí à noite, ele pensou: “Bom, ainda é Mayhem, deve ter alguma coisa aí”.

Então ele apagou as luzes, começou a ouvir o disco na escuridão total e, de repente, ele surtou e ficou maluco com o disco.

Não somos uma banda pop, não estamos tocando para as massas, estamos tocando para as pessoas que se preocupam em prestar atenção, ir a fundo e entender a filosofia por trás de um disco. Black metal e metal extremo são multidimensionais.

Não é como música pop, que é sobre a vida e coisas comuns do dia-a-dia. Ninguém está cantando sobre um novo carro, ou sobre como seu relógio é bacana e seu vestido é bonito. Não fazemos música comercial, é preciso se esforçar um pouco mais para entender um disco.

Há emoções profundas e uma filosofia profunda ali. Não quero citar nomes, mas um amigo meu está tocando em uma banda de metal bem grande e ele me convidou para o show. Fui a essa arena gigante nos Estados Unidos, e fiquei pensando: “Há aqui milhares e milhares de pessoas, mas elas não estão curtindo de verdade”. Elas simplesmente estavam lá, assistindo e conversando, tomando umas, essas coisas.

Eu prefiro ter menos pessoas, mas que estão curtindo a música e prestando atenção e sendo parte do show, porque acredito que a plateia é parte do show, não é algo separado. É importante sentir a reação da plateia.

Mas acho que com bandas como o Mayhem e o Sunn O))), a música é tão intensa que a pessoa não consegue estar em um show bebendo e conversando. Você precisa se concentrar.

Espero que sim. Espero que a música abra suas cabeças. Ontem fui a um show do Voivod aqui em Budapeste. Fui com meu filho – ele tem 16 anos agora, então estamos começando a ir juntos a alguns shows de metal –, e o Voivod é tão bom, tão incrível, que eu não me imaginaria conversando com alguém. Tive que assistir e ouvir tudo o show todo. Claro que há bandas e shows que não são tão interessantes, mas aí eu simplesmente vou embora.

Não vou ficar e conversar no meio da multidão, incomodando as outras pessoas.

Voltando ao De Mysteriis. Durante o tempo que você passou lá, você percebeu que as coisas estavam ficando insanas (igrejas queimadas e tudo mais)?

Na verdade, era muito empolgante ouvir sobre isso (risos). Foi bem intenso e interessante. Eu, particularmente, não sou muito chegado nessas atividades. Acho que a música é mais forte. 

Se você fizer um ótimo disco, vai mudar mais coisas do que queimando uma igreja. E também entendo que algumas dessas igrejas tinham uma arquitetura legal, eram parte da cultura, então não concordo totalmente com isso.

Sou contra a filosofia da igreja. Para mim, é só poder e manipulação, há um monte de informações falsas rolando lá. Então não era contra a construção (risos), era contra o espírito e a filosofia. As construções em si são legais, artisticamente.

Já toquei em igrejas, são ótimos lugares para shows. Mas, naquela época, foi importante. E nós também éramos jovens, provavelmente não faríamos isso hoje. Na verdade, eu nunca participei de nada disso.

Mas como eu estou te dizendo: se você faz um ótimo disco e milhares de pessoas ouvem, você pode provocar mais mudanças do que destruindo uma igreja ou um túmulo – na verdade, não vejo nenhum sentido em destruir um túmulo. Deve haver uma mensagem por trás. Mas não acho que nós – ou eles – estavam pensando sobre isso, apenas aconteceu, intensamente. 

Estou perguntando porque eu queria entender aquele ambiente. Havia muitas coisas malucas acontecendo. Não apenas a queima de igrejas, mas também assassinatos, mas o suicídio (que na real foi uma auto-carnificina hehe) do DEAD e o próprio truta dele tirando fotos. É insano. Como foi viver, mesmo que por um curto período, em um ambiente assim?

Bom, é muito complexo e nem um pouco fácil de responder. Infelizmente, muitos suicídios acontecem no mundo. Foi especial no nosso caso, porque estava muito ligado à música, já que a música tem essa filosofia de questionar a morte e até desafiá-la. Então, quando o vocalista cometeu suicídio… a mídia também tornou a coisa muito maior.

Assassinatos acontecem todo dia, assim como suicídios. Às vezes, as pessoas chegam a um ponto em que não veem nenhuma solução. Mas, no caso do Dead, ouvi que ele era completamente fascinado pela ideia de morrer.

Ele sofreu um acidente quando era mais novo, em que quase morreu. Ele falava nisso. Ele era completamente fascinado pela morte, mas ninguém sabe o que aconteceu. É muito difícil entender o que se passa dentro da cabeça de alguém. Eu mesmo tive alguns pensamentos suicidas quando era mais jovem, então posso entender. Há um período na vida em que você tem esse fascínio pela morte, e se a pessoa se interessa por dimensões espirituais, que estão por trás do nosso corpo e além dessa dimensão material, a morte pode ser bem atraente.

A vida pode ser bem difícil às vezes, então algumas pessoas simplesmente decidem acabar com a própria vida, o que é meio estranho… Fico feliz de não ter feito isso, na verdade. Então ainda estou aqui e podemos conversar.

Clique na imagem leia:

 

Mas você sabia, por exemplo, sobre as fotos quando foi para lá?

Sim, eu vi as fotos. É uma carnificina. Muito chocante ver alguém com os miolos estourados.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Entrevista: Milosz (MORNE)

Caros(as),

Eis a entrevista com a banda que “saiu na capa do play do Darkthrone”, o fodidíssimo Morne.

Eu falei com o Milosz, o polonês ex-Filth of Mankind, agora cidadão norte-americano. O cara é o idealizador, fundador e por anos vinha trabalhando pra estruturar a banda com os caras certos e eis que esbarrou em ninguém menos que Jeff Hayward (Disrupt/Grief) pra isso.

Os caras lançaram o Asylum esse ano e certamente você ainda vai ler sobre esse disco em trocentilhões de blogs por aí que certamente farão suas listas de top 10 de 2011. 

Aliás, falei com ele sobre o sucesso do álbum e outras mazelas.

Se liga ae:  

Cara, como o Morne começou? Devo perguntar porque você era do Filth of Mankind, uma banda polonesa, então creio que você se mudou para os EUA por conta disso, certo? Foi por conta do Morne ou haviam assuntos pessoais e projetos que seguiram por esse caminho?

Me mudei para Boston por conta de uma garota, não por conta de música, saí do Filth of Mankind e vim para cá em 2000 e meio que desde então tento formar uma banda. 

Foi meio complicado porque a maioria das pessoas aqui não curte música pesada. Estava compondo por conta própria e de vez em quando fazia jams com uns amigos.

Um dia esbarrei com o Kevin e perguntei se ele queria tocar bateria no meu projeto. Não demorou muito e o Max se juntou à gente e o resto você sabe…

O Jeff Hayward (Disrupt/Grief) entrou na banda em 2008, para gravação de Untold Wait. Como isso aconteceu? Vocês já planejam algum projeto? 

Em 2007 começamos à trabalhar na demo, terminamos-a no começo de 2008, gravamos como trio e sabia que precisaríamos de uma segunda guitarra. Um dia, Max e eu fomos ver o show de uma das bandas do Jeff e perguntei se ele tava interessando. 

Uma semana depois éramos um quarteto e pouco tempo depois gravamos três sons para o split com o Warprayer.

Uma curiosidade: o nome do Morne foi parar logo na capa do Circle The Wagons do DARKTHRONE. Como rolou?

Fenriz nos contatou logo após o lançamento da demo de 2008, trocamos uns cds, camisetas, ele ajudou à nos promover através de seus blogs.

Um dia recebi um e-mail dele perguntando se podiam colocar nosso nome no seu novo disco.

Aqui no Brasil, muita gente não conhecia a banda até ver a capa do Darkthrone. Acontece de colar uma galera em vc contando que viram na capa e foram atrás?

Sim! Várias vezes ouvi dizerem sobre como o Darkthrone é lendário e receber esse tipo de ajuda deles era uma honra.

Sobre o Untold Wait, há muitas participações nele, incluindo a Kris Force do AMBER ASYLUM e gente do ASUNDER. Quanto tempo levou para a finalização do disco, da composição à gravação? Foi algo planejado ou as músicas foram surgindo pela estrada, turnês e shows?

A maioria das músicas do Untold Wait foram escritas por mim, ao longo de vários anos. Primeiro gravamo-as para nossa demo, mas já sabíamos que trabalharíamos um pouco em cima delas e as regravamos pro álbum. Demorou um pouco pra deixá-las como estão agora.

Queríamos uns violinos e violoncelos em algumas músicas e chamei a Kris, do Amber Asylum pra nos ajudar.

Em uma entrevista com a Stevie, do DARK CASTLE, falávamos sobre a “nova cena” sludge dos EUA. Tem uma penca de bandas fazendo um som extremamente técnico e um trabalho gráfico impressionante que meio tem caracterizado o estilo nos ultimos tempos por parecer meio que um padrão, o que é diferente do que já vimos antes com, digamos, o Eyehategod. Você tem acompanhado esse rolet?

Pra falar a verdade, nem acompanho o rolet, não.

Parece que tem um bom número de bandas tocando música pesada, clássicos como Eyehategod e vários novatos, mas como eu disse, além do Eyehategod e outras bandas antigas, não me familiarizo com a cena nova. 

Fazemos o que fazemos sem necessariamente seguir qualquer coisa.

Como é sua relação com os caras do FILTH OF MANKIND atualmente? Você ainda mantém contato com eles?

Ainda somos amigos, damos uns rolês quando tô na Polônia.

O Morne parece estar fazendo uns puta shows ultimamente, inclusive abrindo pro lendário AMEBIX. Como foi tocar no mesmo palco que esses caras?

Fizemos uns shows com o Amebix há dois anos atrás, foi foda tocar com eles, Rob e Stig são gente fina pacas e tornou tudo mais foda ainda… de vez em quando você conhece membros de bandas que você curte e eles são uns panacas, uns cuzões.  

Ainda falamos com eles e o Rob escreveu algumas coisas pro nosso novo disco, boa banda, bom sotaque, boas pessoas!

2011 parece ser um ano movimentado para o Morne, além do HellFest, saiu o Asylum. Algum plano de tour mundial depois do lançamento do álbum?

Estávamos em turnê na Europa, tocamos no HellFest e mais ou menos uns 30 outros shows, foi legal e continuaremos tentando tocar o máximo que pudermos nos EUA também.

Ao vivo na Italia:



Falando no Asylum, o disco é de certa forma mais introspectivo, atmosférico e denso que o Untold Wait. Por vezes misturando com algo post-rock enquanto o Untold tinha uma pegada mais “punk”. Foi intencional ou é algo advindo do processo como um todo? E como funciona o processo criativo da banda? 

A maioria dos sons do Untold Wait foram escritos antes mesmo da banda se formar, eu só ficava escrevendo música enquanto esperava as pessoas certas para tocá-la – tudo começou mesmo no início dos anos 00. Acho que era assim que me sentia naquela época – Compor nunca é algo planejado, simplesmente acontece.

Com o Asylum, a única coisa que queria fazer era não ter uma intro gigantesca no começo, queria que o disco começasse drástico e direto, o resto foi acontecendo… 

Vamos onde nossos instrumentos nos levam, não seguimos fórmulas ou cenas, muitos nos rotulam e na maioria das vezes nem escutamos bandas que representam aquilo. Só fazemos o que fazemos.

Todos nos esforçamos muito para que o Asylum acontecesse, todos contribuíram de alguma forma e funcionou, estamos felizes coim o produto final.

Desde seu lançamento, já vi o disco ser comentado em vários blogs importantes, como o blog do ROADBURN que o elegeu como disco do dia há um tempo atrás ou no em 6º lugar no Top 26 do STEREOGUM. Para a mídia, acho que este é o álbum mais bem-sucedido até então, certo? Você se sente realizado com o resultado ou se arrepende de algo nesse disco? (Pergunto isso porque vários músicos sempre mudariam “isso ou aquilo”.)

Estou feliz com a divulgação que o disco recebeu, é lisonjeante, acho que qualquer um ficaria feliz. Sobre a produção, bem, esse é bem mais simples que o Untold Wait, tem menos guitarras, não’queríamos enrolar muito, queríamos algo simples que soasse próximo de nossos shows.

O novo disco tem uma colaboração com a JARBOE, além da Kris Force. Como isso rolou? Vocês trabalharam diretamente com ela em estúdio?

Kris Force, que tocou no Untold Wait e Asylum é amiga da Jarboe e eu perguntei à ela se seria possível colaborar conosco, Kris me deu seu contato, ela queria trabalhar conosco e fizemos acontecer.

Kris, Jarboe e eu moramos em partes diferentes do país, o que dificulta ir num estúdio e gravar, então acabamos usando vários estúdios diferentes, devo mencionar que foi uma colaboração bem prazerosa, espero que possamos repetir eventualmente. 

Como somos um blog brasileiro, preciso te perguntar: Você conhece alguma banda brasileira? Ouve alguma?

Conheço ArmagedomLobotomia e obviamente Sepultura

TESTE DA HEADBANGUICE: Anathema (Pentecost III) ou Candlemass (Epicus Doomicus)? Mercyful Fate ou Obituary?

Pô, não escuto nenhuma dessas, foi mal! haha.

  • N. do IB: =( Que dó, que dó, que dó).

Obrigado por ter tirado um pouco do seu tempo pra responder às perguntas, o espaço final é seu!

Obrigado por tudo!

Pink Floyd – Dark Side of Th Moon

Não sei bem o que dizer, é um clássico!

Neurosis – The Eye of Every Storm

Puta disco, tão calmo e melodioso e ao mesmo tempo extremamente poderoso.

Kingston Wall

Recentemente descobri essa banda finlandesa, tremenda vibe e energia pr’um trio.

Heirs - Alchera e o Fowl

Ambos são grandes discos de música instrumental pesada. Conheci os caras, toquei com eles, ficamos amigos, belíssima banda australiana e belíssimas pessoas.

ENT – A Holocaust In Your Head

Discaço e que traz muitas boas lembranças. R.I.P. Phil Vane. 

Traduzido por: Thiago “Índio” Silva.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Entrevista: Randall Dunn (Sunn O))), Earth, WiTTR)

 

Eis a entrevista com o dronemaker Randall Dunn

O cara é produtor, engenheiro de som, músico, eterno turista do mundo e cabeça por trás das maiores produções da “cena drone” americana. 

Para surpresa, durante a entrevista ele revela que fechou o Aleph, estudio em que trabalhava com seu sócio e de onde sairam discos seminais de bandas como Earth, Sunn O))), Wolves in the Throne Room,  KTL, Eagle Twins, Ascend e mais uma caralhada sob o guarda-chuva do poderosíssimo selo de propriedade do “the warrior” (como se denomina na assinatura dos emails) Greg Anderson, a Southern Lord

Conheça um pouco do processo de trabalho, a vida com o Masters Musicians of Bukkake e a relação entre drones e drone, o estilo. - Que aliás responde de forma brilhante.

1. Queria começar dando os parabéns pelo show do Masters of Musicians of Bukkake no Roadburn. Os vídeos que vi eram fenomenais! Como foi a recepção do público? O que vocês acharam do show?

Obrigado! A gente se divertiu muito. O Roadburn é um dos meus festivais favoritos em toda Europa, o line-up sempre é incrível e segue uma temática bem bacana. O show foi inacreditável pra nós também e segue como um dos que mais gostei e pude fazer!



2. Cara, falando nisso, como está a sua relação com o Master Musicians? Tanto em estúdio quanto ao vivo, você é membro efetivo da banda? Pergunto isso porque boto fé que muito do seu esforço se concentra no seu estúdio, ALEPH, como você se vira entre uma coisa e outra? 

Sou meio que o peão da banda, entende? Pegando todos os conceitos e arrumando tudo direitinho numa coisa só. Ao vivo, toco teclados e guitarra e o que mais for preciso. Sempre tiro um tempo pro MMOB.

Sempre trabalhei duro fazendo os discos dos outros, mas agora dou um jeito de fazer minha música também. O problema mesmo é se dividir psicológica e psiquicamente entre tudo isso! hehe


3. Pesquisando um pouco sobre a seus trampos como produtor, encontrei lá em 2003 que você trabalhou como produtor pro John Zorn, o que parece ter sido um puta trampo. Como foi rolou isso?


Na real, isso é informação errada, haha. Nunca trabalhei DIRETAMENTE com o Zorn, só uns projetos pro selo dele. Mas fiz uns trampos com outros caras do Naked City

Bem, teria sido BEM FODA e BASTANTE coisa mesmo, haha.



4. Pelos resultado que tem atingido nos seus trampos como produtor, você se sente de certa forma responsável pela maturidade e “sucesso” alcançado pelas bandas com as quais trabalhou durante esses anos, como Sunn O))), Earth e Wolves In The Throne Room entre outras zilhares?

Não me sinto nada responsável, tem muito que vem e vai em uma banda antes mesmo de eu entrar em cena. Uma tonelada de esforço e sacríficio. 

Acredito que essas colaborações ajudaram de alguma forma, ao levar a banda e sua sonoridade à um novo público e novas possibilidades musicais. Dito isso, cada um dos artistas mencionados tem uma personalidade forte e idéias específicas dentro do estúdio.

É um prazer ter trabalhado com todos, só posso trabalhar bem se o que estou trabalhando em cima é igualmente bom e inspirador.

5. Vim com esse papo de maturidade (dentro deste tipo de música) porque sinto que a produção como um todo melhorou bastante, boa parte graças ao seu trabalho, que virou referência no gênero. O quanto disso você associa com o fato de pôr seu sentimento na coisa toda e que equipamentos você usa pra este fim?

Obrigado, esse é um tremendo elogio! Trabalho com este tipo de música à qual tinha uma noção beeeem diferente em relação aos outros que já lidavam com ela. Influências diferentes e equipamentos diferentes.

Dou tudo de mim quando trabalho em um disco e quando trabalho com gente como essas que você citou, coisas realmente incríveis podem acontecer numa gravação.

6. Ainda sobre equipamento e tal, você poderia falar um pouco do seu line-up que usa no Aleph ou você prefere manter como segredo de estado?

Na real, bizarramente enquanto escrevo isso aqui, fechei as portas do estudio. Meu sócio e eu decidimos tocar o barco. Não há nada de secreto ali, é mais uma questão de abordagem do que qualquer outra coisa.

Foi um bom lugar por um tempo, mas meio que desencanei dali e do que poderia fazer por lá. Não importa o local, o que importa é o approach.  

Tinha lá pelo Aleph muito equipamento analógico e tal que auxiliava nesse approach. No final-das-contas, Aleph Studios é mais um método do que só um lugar.

 
7. Baseando-se nas bandas com que você trabalhou, qual você diria que foi a mais difícil? Alguma delas você via como projeto dos sonhos ou tem alguma da qual você curtiu mais ter trabalhado junto?

Hm, essa é díficil. Monoliths & Dimensions, do Sunn O))) foi bem desafiador e em vários níveis. Aprendi muito fazendo aquilo. Gostaria de trabalhar com uma orquestra maior ao lado do O’Malley (Stephen), em algum ponto, acho que escuto a música de forma similar à dele.

Fora isso, qualquer trampo com o Alan Bishop já é um sonho, haha.


8. Através dos anos você trabalhou com alguns dos maiores gênios da música contemporânea, entre eles Stephen O’Malley, Atsuo Mizuno (BORIS), Joe Preston (MELVINS, EARTH, THRONES) e Dylan Carlson (EARTH), pra citar alguns. Como é lidar com essas pessoas em estúdio? Você tem liberdade pra fazer as coisas do seu jeito?

É demais, todos esses caras são bem seguros em relação a sua arte e o que estão fazendo. Grandes artistas sabem quando delegar e quando pedir ajuda em sua visão. Aí é quando você pode fazer algo maior do que ambos fariam, individualmente.

 
9. Ainda sobre Sunn O))), Boris, Earth e incluindo o Wolves in the Throne Room, você trabalhou com uma porrada de gente diferente. Cada um com sua própria sonoridade, dificultando até dizer que saiu tudo do mesmo estúdio, uma qualidade rara, já que a maioria dos estúdios já tem quase tudo automatizado e produzem bandas em quantidades industriais. Gostaria que você comentasse o seu processo de fazer um disco. Se você usa algum tipo de padrão ou há uma preocupação legítima em deixar cada um com uma identidade?

Tudo o que tento fazer tem uma identidade própria. Tento fazê-la crescer e expandir cada vez mais.

Acho importa que cada disco tenha sua forma, seu espaço. Não teria como ter padrões nem se eu quisesse…

10. E nessas produções você tende à usar digital ou analógico?

É uma combinação dos dois, na real, mas prefiro analógico e tento manter assim durante a maior parte do tempo.


11. Existe algum artista ou banda que você gostaria de produzir? Se pudesse escolher, quem seria?

Psychic Paramount seria divertido. Tangerine Dream, se estivéssemos em 1976, haha ou então algo pro John McGlaughlin, um retorno aquele som do Mahavishnu Orchestra, hehe.

12. Cara, em alguns dos discos que você produz, você mete a cara e acaba participando, como no Hibernaculum e no Monoliths & Dimensions. Como funciona isso? Você deixa uns instrumentos ali e encaixa onde acha que dá ou há algo combinado, ensaios pra ver como vai ficar?

Só acontece. Tento não forçar nada, tem horas em que simplesmente tem que acontecer. É espontâneo, normalmente.

  

13. Além do Celestial Lineage do Wolves in the Throne Room, que você está produzindo agora, como está a fila de trabalho do Aleph agora?

Na verdade, trabalhei com o Wolves em outros estúdios, a música deles pedia algo diferente. Metade foi feito no Aleph e metade em outros lugares.

Agora, trabalho numa colaboração da Björk com um artista sírio chamado Omar Souleyman. E o novo do MMOB chamado “FAR WEST”.

14. Cara, sempre que leio algo sobre você, está relacionado à música indiana/tibetana, sons fora desse esquema drone/doom, apesar de ainda drone. Pessoalmente, como você vê a relação entre música étnica/ritualística e drone enquanto gênero musical? Digo, na época do Black One, vi uma entrevista do SO’MA em que ele dizia que o SUNN O))) era uma banda de Black Metal baseada em drones e achava estranho quando as pessoas se referiam à eles somente como “drone”. Essa correlação entre drones e drone como estilo é adequada ou relevante, na sua opinião? 

Interessante. Conheço música indiana superficialmente. Sei mais sobre os tibetanos. Não me considero uma autoridade, basicamente porque sei de gente que o é de fato. É uma escolha profunda estudar essas músicas em profundidade, o que leva várias vidas.

Sinto que qualquer música pode dar origem à outra. Particularmente, nunca fiz música pensando que faria parte de um gênero como doom ou drone. Ou imaginei que haveria um gênero chamado Drone. É engraçado, pessoas do oriente têm feito música assim há milhares de anos. É só uma ferramenta. É como chamar PREGOS E MARTELOS de gênero musical. É tão ambíguo e bobo quanto.

Acho que o rock, por assim dizer, underground ou popular é melhor quando se vê longe de amarras como etnia ou ritualística ou qualquer outro título mais restrito. No final-das-contas, tudo na vida é um ritual de quem está envolvido com esse tipo de tradição, é até ofensivo botar esse mesmo peso no rock’n’roll.

15. Obrigado pelo seu tempo, o espaço é seu!

Obrigado pelo convite!


Tamikrest - Uma banda tuaregue de Mali

Ali Farka Toure - Red & Green

Aethenor - En Form for Blå

Tangerine Dream - Stratosfear

Tangerine Dream - Ricochet 

Traduzido por: Thiago “Índio” Silva.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Entrevista: Alejandro (Dragonauta)

Pensar na América do Sul como o abismo de tudo que envolve musica extrema e com qualidade não é errôneo, parece que esse continente está ancorado e só alguns botes conseguem ser vistos pelo horizonte de outros continentes, algum desses botes, tornaram-se embarcações e trocaram pólvora por gigs e tours mundo a fora.

O Intervalo Banger conversou com Alejandro, da já veterana banda de Heavy Doom azul-celeste Dragonauta.

Dotados de muita referência sonora o papo serviu para sacar um pouco além do que ouvimos e conhecer o que motivou e o que ainda motiva esses caras durante os 12 anos de carreira.

Na foto: Alejandro

1. Sempre que o assunto é Hard Rock argentino, bandas mais antigas como Vox Dei, Pappo’s Blues, El Reloj surgem no papo. Como é crescer ouvindo ouvindo rock na Argentina? E essas bandas tiveram alguma influência quando vocês começaram a ouvir musica e depois quando estavam formando o Dragonauta?

Absolutamente sim. Nós crescemos ouvindo essas bandas argentinas de Pré-Heavy Metal, como Pappo’s Blues, Vox Dei, Riff, Polifemo, Manal, V8 e algumas bandas de rock progressivo também, como El Reloj e Invisible.

Atualmente nós reouvimos esses álbuns , especialmente o do El Reloj, para aprendermos novos licks de guitarra, novas estruturas musicais…. eles são demais….Inclusive, o baterista, Locomotora Sposito, foi um dos primeiros bateras ( na década de 70) a usar bumbo duplo como parte substancial de tocar rápido e pesado. E sem se esquecer que eram 3 guitarristas.

2. Além do fato de espanhol ser sua língua mãe, cantar também em espanhol foi uma escolha para agregar à identidade da banda? Como todo o conceito misturando o ocultimo, terror , os riffs pesados e a língua espanhola se convergeram ?

Não realmente, nós cantamos em inglês e espanhol também. Cruz Invertida é 50/50, mas nosso disco novo, Creatruenos é totalmente em inglês.

Aqui na Argentina o publico faz questão que as bandas cantem em espanhol…eu não sei e nem quero saber o porque , já que não é para nós uma decisão em fazer isso ou aquilo…apenas acontece.

3. Ainda sobre a identidade do Dragonauta, eu li que você é um artista plástico e participa de algumas exposições. Isso facilita à explorar o lado artístico não sonoro da banda? Por exemplo, capas de disco, camisetas, vídeos e performances ao vivo… E os outros caras na banda também estão envolvidos com arte?

Sim, claro! Eu tento juntar o conceito da nossa música e letras com a arte ideal à criar uma identidade única. Eu penso que não somos apenas quatro caras tocando musica com uma capa legal.

O Dragonauta é o Dragonauta, como música, a imagem, o que nós dizemos e o que tocamos. El Topo ( baixo e vocal) é fotografo e diretor de cinema. Então nós somos interessados em todas as formas de arte e ciência.

4. A primeira vez que ouvi o Dragonauta foi no split com o Los Natas ( outra banda fodidissima da Argentina). As influências de Black Sabbath com uma veia psicodélica são claras, por outro lado, Cabra Macabra é puro riff pesado, lembrando muito bandas antigas como CELTIC FROST, TROUBLE, VENOM, já no ultimo álbum, Cruz Invertida, parece que tudo isso se misturou. É atmosférico, malvado e muito pesado. Como esse processo criativo funciona para vocês? É tudo jogado num caldeirão efervecente?

Nós mudamos, e tocamos o que sentimos. Todo disco do Dragonauta difere do anterior. Tentamos explorar todos os tipos de sons malvados e pesados que conseguimos extrair de nossos instrumentos, focando em cada musica ou onde queremos chegar em cada musica. E nós ouvimos Dont Break the Oath (Mercyful Fate), Michael Schenker no Scorpions, Hemispheres (Rush) e Killers (Iron Maiden) quando estamos compondo músicas novas.

Cada um de nós tem um jeito de tocar os instrumentos, mais pesado, mais vintage ou mais melódico desse jeito tentamos combinar para que tudo soe bem no Dragonauta.

5. Você pode me dizer um pouco do equipamento de vocês? Porque a maioria das bandas de doom, drone e stoner abusam de amps Sunn ou Orange. E quão fácil é encontrar esses equipos aí na Argentina?

Nada de espetacular saca? Basicamente é ver aquela revista antiga de metal e ver o que o Tony Iommi estava usando. Gibson SG + Laney Amps com o volume infinito. Não usamos nada além disso.

Bem, guitarras Flying V são animais também….Gibson Firebird também, aquela mesma que o Steve Clark usava no Def Leppard antes dele morrer.

6. Ano passado Los Natas (já mencionado no texto) tocou no Roadburn Festival, e senti que ainda existe atenção para a américa do sul, por mais que seja dificil ter o mesmo nível de visibilidade como uma banda nos EUA ou Europa tem. O que você acha disso? De alguma forma ter uma banda é mais desafiador? Você chegaram ou tiveram alguma proposta de fazer uma tour européia?

Bom, essa é, eu acho, a oitava turne européia do Los Natas, então eles mereciam tocar no Roadburn e estamos orgulhosos deles. Eles são grandinhos na europa também.

Sobre o Dragonauta, posso dizer que é uma banda bem respeitada pelo velho continente, mesmo sem ter ido tocar lá. E sobre os desafios tentamos sempre tocar o melhor no que pudemos, compor o melhor da nossa capacidade, esse sim é o desafio, continuar tocando bem e o mais sombrio possivel ate chegarmos á escuridão infinita.

7. Dragonauta tem 12 anos, 3 LPs e 2 splits. O que vem a seguir? Como foi o feedback do Cruz Invertida?

Acabamos de terminar nosso novo álbum, Creatruenos, e será lançado nos próximos meses. Estamos planejando uma turnê perto de Novembro desse ano. E sempre trabalhando em novos riffs, idéias…

O feedback do Cruz Invertida foi ótimo, ótimos resenhas, muita gente interessada na nossa musica e nos álbuns antigos, só precisamos de uma melhor divulgação ou um melhor contrato com alguém que quiser divulgar a palavra do mal oriunda do sul da terra.

8. Cara, não posso deixar de perguntar: Maradona ou Pelé?

Maradona em 91, com barba, vestindo roupas florecentes da Versacce.

9. Somos um site brasileiro, e gostariamos de saber se vocês ouvem alguma coisa daqui.

Claro, Brasil tem uma cena foda para o metal. Sarcófago e Vulcano são minhas favoritas, eles são uma grande influencia para todo mundo no metal. Os primeiros do Sepultura também são ótimos.

A banda mais recente que eu ouvi foi o Em Ruínas, as duas primeiras demos, acho que eles estão para lançar um álbum esse ano….fico no aguardo.

10. Deixe uma mensagem

Listen to Music

1. Def Leppard - On through the night

2. Darkthrone - Ravishing Grimness

3. Morbid - Year of the Goat (Edição fuderosa!!)

4. Ace Frehley - Solo Album 1978

5. Rush - Hemispheres

Elaborada, conduzida e traduzida por: Junera (@octobertide)


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Entrevista: Johan e Antoine (Celeste)

Neblina e Luz. Eis o Celeste.

Os franco-alienígenas da cidade de Lyon que conseguem causar um puta caos ao vivo. Uma mistura de fog com uma luz branca de fundo acionada randomicamente e as luzes vermelhas na testa passando pra lá e pra cá deixando tudo um espetáculo luminoso. 

Definir o som dos caras é meio foda pq todos os termos podem soar cafona pra uma banda que segue uma caminho único. Acho que definiria o rolet do Celeste como um Hardcore 90´s mid-tempo com os sludges atuais e black metal pra caralho, porém não espere blasts, não espere d-beat. Tudo é feito numa fórmula estritamente particular. Certamante você não vai ouvir/ver uma banda como eles por aí.

Denso, tenso e sufocante. O Celeste consegue uma massa única de som. Sou fã pra caralho! E pra mim foi animalesco fazer essa entrevista. =~~~

Sobre a entrevista 1: O Johan ao aceitar a entrevista, pediu pra nos mantermos em 7 perguntas. Respeitado, fiz um monte e dessa escolhi as 7 que poderiam ser mais interessantes e curti o resultado.  

Sobre a entrevista 2: Vou-lhes contar um causo. Eu achei que fosse de antes, mas não. Em janeiro eu entrei em contato com os caras pedindo a entrevista e o Johan, vocal, me respondeu dizendo que topariam, logo, mandei. 2 meses depois ainda nada, então resolvi mandar um email cobrando. Sem resposta.

Semana passada, quase 6 meses depois do primeiro contato, ele me mandou email perguntando se ele tinha me mandado as respostas. Eu disse que não, em seguida, menos de 1 min depois, ele me encaminhou o email com tudo, pedindo desculpas pela demora.

Ps. Eu tinha inclusive pensado em mandar um email novo, na doida mesmo, como se fosse o primeiro contato perguntando se ele não estava afim de fazer uma entrevista pro blog. heheh 

Enjoy Fvkkers!

1. O Celeste realmente supera os limites quando se trata do aspecto visual de suas apresentações, sempre resultando em videos e fotos espetaculares. De onde veio a inspiração pra isso? Vocês veem isso como complemento ao “pacote” Celeste?

Antoine: No começo, tocávamos com umas quatro luzinhas vermelhas, o que era bem normal, depois de alguns shows começamos à pensar num conceito real pra iluminação e tal. Queríamos algo prático e eficiente. Certa noite, um amigo nosso apareceu com aqueles “faróis” e começou à moshar com aquilo, haha. O efeito visual era bem convincente, ainda mais depois que adicionamos um estrobo e máquina de fumaça.

Foi muito importante nos preocuparmos com esse lance todo da iluminação, justamente por ser parte do processo de firmarmos uma identidade, visualmente falando. Queríamos algo que combinasse com o som, algo novo e ainda assim agressivo.

Celeste ao vivo:


2. Outro recurso visual importante para a banda são as capas, flyers, camisetas e pôsters, sempre de bom gosto e elegantes de certa forma (se tratando de black metal). É algo que parte de dentro do Celeste ou alguém cuida de sua identidade visual?

Antoine: Johan, o vocalista, cuida tudo de relacionado à estética da banda. Ele sempre se sentiu atraído por este assunto – design, fotografia, pintura e assim por diante… Muita gente propôs trabalhar conosco, em nosso artwork, mas sempre negamos justamente por estarmos satisfeito com o trabalho que o Johan apresentou até agora.

3. Quanto aos seus discos, a produção soa sempre a mesma, ainda mais característico em Nihiliste(s) e Misantrope(s). Como é o seu processo de composição/criação? Trabalham em estúdio próprio?

Antoine: Até o momento, Guillaume, nosso guitarrista, trazia suas próprias composições. No Nihiliste(s) e Misanthrope(s) o processo criativo foi bem simples, porque nessa época, acredito que éramos menos rigorosos ou menos perfeccionistas. Então tudo fluiu bem rápido, quase uma música nova por semana, só adicionávamos bateria, baixo e vozes ao que Guillaume compusera.

Tão simples assim!

Mas com Morte(s) Née(s) e mais ainda com o disco novo que estamos preparando, foi ficando cada vez mais complicado se inspirar e ser criativo. E o fato de que todos queriam participar das composições só complicou e tornou a situação mais delicada, mas ainda assim, mais interessante.

Na verdade, decidimos compor há pouco tempo, adicionando mais uma guitarra, procurando novos caminhos em nosso meio. Como disse, leva muito mais tempo, mas é bem mais empolgante e interessante assim.

Quanto às sessões de gravação, não temos estúdio próprio, mas desde o começo trabalhamos apenas com Stephane Jeanningros em seu estúdio (Studio dês Prairies).

Provavelmente por isso soamos sempre da mesma forma, em todos nossos álbuns.

4. Há alguma razão para adicionar os (s) em todos os títulos de seus discos? Aliás também tem um som chamado “(s)”. Alguma relação ou tema implícito aí?

Johan: É só uma forma de explicar que os tópicos abordados lidam com pontos-de-vista pessoais, mas também poderia ser visto como algo universal. Também é um bom truque pra ser reconhecido imediatamente. Sobre a música, foi nosso primeiro trabalho instrumental e como não tinha nenhuma idéia pro título, pareceu bem óbvio chamá-lo assim.



5. O Celeste tende a usar muita dissonância, algo típico das bandas de hardcore dos anos 90/começo dos 2000 como Botch, por exemplo, mas sem perder seus elementos Black Metal, ainda assim, de forma única. Gostaria que você comentasse um pouco sobre seu background musical e de onde vêm as inspiração pra sonoridade caótica da banda.

Antoine: É bem engraçado justamente porque nenhum de nós escuta bandas como Botch e muito menos somos grandes fãs de Black Metal, mesmo gostando de coisas como Deathspell Omega, Blut Aus Nord e Wolves In The Throne Room. Nosso passado musical é bem amplo, vai do metal ao post-rock ao shoegaze ao electro… Eu realmente não saberia dizer de onde vêm a música que fazemos atualmente.

Óbvio que queríamos criar algo extremo, profundo e agressivo, mas quando o Celeste começou, meio que não sabíamos onde estávamos nos metendo, só deixamos as mentes correrem livres. É claro que nos inspiramos em muitas bandas e gêneros, mas não conseguiria citá-los especificamente.

6. A Denovali parece estar fazendo um excelente trabalho ao divulgar o Celeste, incluindo downloads gratuitos no site, festivais, etc. Como você vê essa parceria no futuro? Planos para uma turnê americana?

Johan: Definitivamente não temos do que reclamar. Eles sempre fizeram um bom trabalho e se envolveram com cada um de nossos lançamentos. Gastaram bastante grana e tempo para tornar-nos disponíveis à qualquer um interessado. Temos muita sorte de ter liberdade ao se tratar do artwork da banda. Não planejamos mudar de selo, mesmo que propostas cheguem aos borbotões.

Com o tempo, nos tornamos amigos de verdade e eu gosto da idéia deles lançarem todo tipo de música. Uma turnê americana definitivamente está em nossos planos! Só precisamos organizar detalhes em nossas vidas pessoais e poderemos decidir que época seria mais conveniente pra todos. Estamos ansiosos!

7. Pra finalizar, a cena francesa hoje está muito em alta com bandas como o Alcest e o Deathspell Omega, mesmo sendo musicalmente antagônicas, dividem o mesmo ambiente, ou seja, o Black Metal. Cada banda francesa tem seu próprio nicho, entende? Como você vê o trabalho do Celeste neste contexto? Você vê a França como um pólo de metal extremo e Celeste como um de seus representantes?

Antoine: A França realmente é bem prolífica ao se tratar de Black Metal/música extrema. Bandas como Deathspell Omega e Blut Aus Nord criaram sua própria sonoridade. Mas não diria que o Celeste represente algo específico nesse momento, porque não acho que fazemos parte desta cena.

Aliás, acho que não devemos nada à  cena alguma… Pra muitos dos fãs de Black Metal, não somos uma banda de Black Metal, o que até certo ponto é bem verdade… Lógico que a França está passando por um período auspicioso, com várias bandas interessantes, mas não consigo dizer se há algo em comum, se há um movimento em torno disso, se alguém poderia agir como representante… E não me importo, sendo honesto. Só espero que continuemos tendo novas e boas bandas.

  • Antoine - Baixo

Deathspell Omega - Veritas Diaboli Manet in Aeturnum: Chaining the Katechon

Música incrível de 20 min. Grande banda.

Jeniferever - Spring Tides:

Grande banda de shoegaze lançada pela Denovali

Matt Pond Pa - The Dark Leaves:

Talentosa banda pop americana

Friendly Fires - Friendly Fires:

Banda de Electro rock

  • Johan - Vocal

Complicado, não escuto tanta música assim.

Falemos então de algumas bandas que dividiram o palco conosco no Japão. Pra falar a verdade, além da 1ª banda, conheço-os mais ao vivo do que em estúdio

Heaven In Her Arms:

Caras mais legais do mundo! Mistura perfeita entre screamo e coisas mais numa pegada metal/doom/sludge.

COHOL:

Caras mais legais do mundo pt. 2! Não sei descrever o som que fazem, mas é bem sujo e malvado 

Ovum:

Post-rock muito bom, fizeram ótimos shows durante a tour.



Traduzido por: Thiago “Índio” Silva.

 

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...