Cogumelo 30 anos: A Epopéia.

3 bangers paulistanos enviados a BH para cobertura do evento de 30 anos da Cogumelo Records;

As linhas abaixo serão dedicadas à aventura desses heróis. Sobreviventes de um fim de semana regado à beberrância Mineiro style + Rock Rápido Diabista.

*Note que em todos os reloginhos, o ponteiro marca sempre a hora do Baphomet.

Sexta feira - 15/10


Todos ansiosos pra caralho. Queríamos que desse a hora de terminar o trampo e começarmos o rolê. Porém o busão só sairia às 22h45 rumo ao condado-destino.

Chucro que somos, poucas vezes saímos do nosso recanto bairrista, então pareceu divertido pegar um bumba por 8 horas e meia seguidas… Cometão “Lata-de-Sadinha”, então o amigo da poltrona da frente entrou e logo se aconchegou totoso no banco baixando sua poltrona até tocar meus joelhos. fiquei imóvel até a primeira parada ¬¬.

Não que depois melhoraria, é que nas duas paradas que fizemos, o sangue pôde circular novamente.

Estávamos na rodoviária esperando pelo nosso cicerone, quando resolvemos ir a um boteco tomar um refri. Descobrimos que em BH, os refrigerantes de 600ml são na verdade de 500ml, fato estranho que gerou um comentário:

- “Mano, porque vc tá com essa cara?”
- “Porque o mano disse que não tinha de Coca de 600ml, se servia a de 500, e eu disse que beleza”
- “Então funfou, mas vc tá com o olho arregalado porque?”
- “porque não existe coca de 500ml”

Ledo engano amigos, quando forem à BH, peçam pelo correto!

Já com nosso cicerone, partimos rumo ao café. Uma padaria que diz ele ser chique para os padrões do condado. Comemos pra caralho e quando fomos pagar a conta, tivemos a segunda surpresa do dia em menos de 2 horas.

A conta deu R$ 10,00. Cada um pegou 10 reais e tava entregando pra mulher quando ela disse: “Não é pra cada, deu R$ 10,00 tudo”.

Caras, acreditem quando eu digo que comemos pra caralho e a conta deu muito pouco. Segundo nosso guia, foi caro pq a padaria era “boa”.

Depois de largarmos as coisas no hotel, fomos conhecer a loja da Cogumelo Recs.

Fui seco achando que encontraria alguma preciosidade ou alguma coisa que valesse a pena trazer, mas não foi o caso. ficamos uns 10 minutos no máximo, encontramos alguns amigos que foram de São Paulo tb e fomos a um boteco em frente ao Mercado Municipal. É um calçadão cheio de boteco.

Durante o tempo em que estivemos no bar, lembramos que no hotel tinha piscina, porém, espertos que somos, esquecemos de levar berma pra entrar na agua. Então passamos a manhã toda no bar ameaçando comprar o equipamento aquático ideal para a prática do mergunlho indoor, a bermuda.

Embriados, esquecemos de comprar o equipamento adequado, mas ainda assim queríamos entrar na agua.

Agora, o que seriam dos desbravadores do death metal, não fosse a coragem de entrentar o desconhecido? Pulamos de cueca na piscina. =)))

Um de nós, num ato de vanguardismo completo, tentou uma proeza jamais pensada: Entrar de cueca branca naquela agua, onde eu e o terceiro já estavamos.

Gritos de horror, desespero e loucura tomaram BH. Nós não permitiriamos que aquela cidade tão acolhedora sofresse com esse ato de covardia completa e o fizemos trocar por alguma vestimenta mais adequada.

A agua tava um gelo do caralho, provavelmente -30º C, 15 minutos depois subimos, tomamos banho e capotamos.

Cochilamos cerca de 1h30, levantamos pra tomar café numa padoca e depois era só colar pro rolet.

Porém o que parecia uma tarefa fácil se tornou uma epopéia, acordamos tão embriagados quanto dormimos. Chegando na padaria, tentei pedir um pão com mortadela e queijo (ZL Style) e levei quase 20 minutos pra concluir a tarefa, quando desisti e um dos caras, num ato de bravura, meu auxiliou a completar a tarefa.

Tava garoando, mas terminamos o café e fomos pro pico…

Chegamos =)

Se você é daqueles que aprecia um bom Beherit e ficou triste quando soube o fim do maravilhoso Bestymator, assim como eu, ficou muito feliz com o show do Impurity.

Satanismo popular fodido do começo ao fim, visual totalmente necro, cruz invertida no palco e tudo mais… do caralho mesmo. O som não estava dos melhores e o pico tava meio vazio, mas quem estava lá invocou o jesus invertido e agitou o pentagrama a valer!

Quando a banda anunciou que tocaria um cover do Blasphemy eu não me segurei a dar um grito de “FUDIDO”. Um puta show, mesmo para os apreciadores do velho Black metal.

A casa já estava um pouco mais cheia quando o já conhecido Amen Corner veio ao palco para um publico um pouco maior nos presentiar com seu Black metal totalmente calcado na escola grega.

O som tava muito nitido e o show foi muito bem produzido, algumas partes da produção rolaram reverbs no vocal na hora certa, pra dar o efeito necessário. Eu nunca tinha visto os caras ao vivo e particularmente gostei pra caralho!

O vocal do Sucoth Benoth com um puta punch e a banda toda tem uma pegada espetacular. Foi definitivamente o mais perto que eu já cheguei em ver um show do Rotting Christ na fase do Non Serviam, ou seja no mínimo maravilhoso!

Rolaram vários sons do novo play e comentaram sobre o atraso que rolou no lançamento do Leviathan Destroyer, que pelo que pude notar, tem tudo pra ser o lançamento nacional do ano.

Banda da nova safra do metal mineiro, que não me chamou muito atenção. Os caras praticam um “thrash/death” com uma pegada bem noventista, o que geralmente dá errado. Na humilde opinião de quem vos fala, acho que rola uma tentativa de mandar um Sepultura entre o Arise e o Chaos A.D, mas sem um riff marcante, embora tenha alguns duetos excelentes e algumas partes exageradamente cadenciadas. 

Já no meio da apresentação fomos surpreendidos por um blastbeat que se não me engano foi no som “The end is near” que acabou por enterrar minhas esperanças na banda, soou tão forçado só para embasar a utilização do termo “thrash/DEATH” que fiquei com pena. =(

Mais nem tudo foi ponto negativo na apresentação dos caras, o som tava muito bom e os músicos tem uma presença de palco muito profissional, quesito em que se sobressaíram sobre todas as outras bandas.

Destaque pra performance insana do baixista e vocalista Daniel Lucas.

Eu nunca fui fan dessa banda, e já tinha assitido alguns shows deles, sem prestar muita atenção. Para fazer essa resenha pensei que prestando atenção no show poderia mudar de opinião, afinal são uma banda realtivamente antiga e tem muitos discos lançados e ocupam um certo espaço no cenário do metal brasileiro. Estava errado! =(

Nada contra os caras, eles tocam muito bem inclusive e o som estava ótimo. O baixista é um figura, agitou muito e saracutiou pra caralho. Mas não tem jeito, os caras fazem um som que definitivamente não é minha praia.

Calcado naquele thrash metal da segunda metade dos anos 90 sem muitas partes rápidas e com alguns blast aqui e acolá, mas que assim como o Hammurabi, também soam forçados.

Enfim uma banda que merece respeito pelos anos de underground e dedicação mas que dificilmente vai conquistar meu coraçãozinho.

O Anthares dividiu o status de atração principal com o Sarcasmo. Foram a penúltima banda e pegaram o publico já cansado, porém nitidamente ansioso pela apresentação dos caras.

O show foi realmente FODIDO (em letras garrafais mesmo)! Thrash metal puro, rápido, cru e tosquera. Para esse show, eles tocaram os clássicos do LP “No Limite Da Força” que acabou de ser relançado em cd (finalmente) e sons da demo independente “Anthares” de 2005 e a galera bombou.

Eu já vi vários shows dêsde a volta da banda e digo com toda certeza que esse foi o melhor de todos. O som estava excelente, pesado, tinha uma estrutura digna pro Anthares e o carisma do novo vocalista Diego Nogueira (Blasthrash), fez “levantar a galera” (leia como se fosse a Xuxa falando).

Desfecho melhor impossível com o clássico “Chacina”.

O Sarcasmo mantém com propriedade a escola mineira! Embora eu diria que eles também se encaixem num Thrash/Death eles soam muito mais agradáveis ao meu ouvido. A pegada dos caras é totalmente oldschool, do vocal tosquera ao visual. Também a banda é de 93 e lançou diversas demos e um álbum de estúdio nesses anos sempre fiéis ao verdadeiro underground.

O som parece um tributo ao antigo death metal mineiro dos anos 80 mais também remete algumas bandas de fora como Bewithced, Desaster e Master. Foi um puta show, pena que tão tarde quando a maioria do pessoal tava completamente bêbado e cansado, que era o meu caso. “only for headbangers” Metal Morte! Ahaha FODA!

Shows terminados, todo mundo completamente bebado e decidimos passar no Pão de Açucar, ou algum supermercado equivalente da cena de supermercados mineiros.

Lembro de comprarmos um monte de coisas: Pão, Vodka, mais cerveja mas especialmente pra mim lembro de terem comprado um pacote com Copa, aquele tipo de presunto ultra salgado e escuro.

Durante o rolet no supermercado lembro de ter saudado toda cena mineira com frases do tipo: “Queria mandar um alô ae pra galera de BH e Três Corações… Mantendo a chama acesa fudidamente”.

Saimos do mercado e fomos pra Praça do Papa, no alto de não sei onde, onde terminamos a noite sentados, bebendo, discutindo o split do ImpNaz com o Beherit e cantando Misfits e Bon Jovi* no talo. *Sabe-se lá porque.

Num dado momento, já com o sol nos incomodando, resolvemos que íamos comer torresmo peludo com pinga em alguma lugar no centro, porém depois de darmos umas 3 voltas no centro de BH, fracassamos na missão e voltamos pro hotel

Obviamente já não conseguiamos mais ver as horas, mas fui informado de ser aproximadamente 6h00 entramos e capotamos até 11h00. Levantamos barraco, fizemos o checkout e partimos.

Do hotel para o Mercado Central, de lá para o Aeroporto de meios terrestres, onde enfrentaríamos mais 8 horas de viagem no Cometão.

Porém dessa vez o busão era imensamente melhor e não fiquei com o joelho esmagado. HAIL SATAN!

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